Quem sou eu

Minha foto
HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

Colaboradores

Mostrando postagens com marcador África Ocidental. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador África Ocidental. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Mosca Trapalhona (Griots)

-


Imagens retiradas do Google

"O nome Griots faz referência a grandes contadores de hitórias africanos que, apesar de ainda atuarem isoladamente em algumas regiões da África Ocidental, tiveram, há séculos, um vasto e importantíssimo papel na evolução e manutenção da cultura e tradição de todo continente.Os Griots, contadores e cantadores de histórias, eram considerados verdadeiras bibliotecas ambulantes e sua importância era tão grande que eram poupados até pelos inimigos nas guerras. Lendas, feitos heróicos e lições de vida, tudo era adorado e servia de alimento para o espírito alegre e guerreiro do povo do continente. Quando falecia, o corpo de um Griot era colocado, literalmente, dentro de uma gigantesca árvore chamada Baobá, para que suas histórias e canções pudessem continuar brotando e alegrando todos aqueles que as consumiam."




Imagens retiradas do Google

"A Mosca Trapalhona"
Uma mosca viu uma cobra dormindo sobre um monte de lenha e, prestimosa como sempre, foi logo avisando:
-Ó Dona Cobra, fuja daí porque está chegando alguém pra buscar lenha e vendo-a a í pode matá-la. A cobra seguiu o conselho e se enfiou apressadamente na toca de um rato.
Este ao vê-la adentrando a sua casa deu um guincho e fugiu esbaforido pela saída de emergência.
Do lado de fora esbarrou no faisão que começou a berrar. O macaco que dormia, com aquela gritaria deu um pulo tão alto que um galho se partiu caindo na cabeça do elefante que passava por ali naquele momento. O elefante apavorado saiu esmagando tudo o que encontrava a sua frente, e pisou no ninho do ntiétié. O pássaro que tem penas vermelhas como fogo de tão zangado incendiou a planície. Ia passando por ali um veado que queimou as patas, e saiu correndo para se refrescar no rio. estava tão assustado que se esqueceu de gritar avisando as mulheres que se banhavam no rio para que se vestissem. As mulheres sairam correndo e foram se queixar ao chefe da aldeia. O veado foi chamado para se explicar...ele pediu desculpas e pôs a culpa no ntiétié... este foi chamado também, e se defendeu acusando o elefante de culpado.
O elefante ao ser chamado culpou o macaco que culpou o faisão..que culpou o rato...que culpou a cobra...Asssim todos o animais envolvidos na confusão foram chamados para se apresentar ao enfurecido chefe da aldeia até que chegou a vez da mosca !
Esta se explicou dizendo que quis fazer um bem avisando a cobra, mas acabou se dando mal...
O chefe da aldeia reuniu o Conselho Ancião para julgar o caso. A mosca acabou sendo perdoada pelo barulho e confusão que provocou, mas até hoje ela vive por aí ...zumbindo no nariz da gente ! - Bom garotada , por hoje é só !" Disse o vovô Ussumane, levantando-se com uma certa dificuldade. "Boa noite, e durmam bem !"

-------------

quinta-feira, 24 de junho de 2010

28H MMN - A Mosca Trapalhona (Griots)

--


Imagens retiradas do Google


"O nome Griots faz referência a grandes contadores de hitórias africanos que, apesar de ainda atuarem isoladamente em algumas regiões da África Ocidental, tiveram, há séculos, um vasto e importantíssimo papel na evolução e manutenção da cultura e tradição de todo continente.Os Griots, contadores e cantadores de histórias, eram considerados verdadeiras bibliotecas ambulantes e sua importância era tão grande que eram poupados até pelos inimigos nas guerras. Lendas, feitos heróicos e lições de vida, tudo era adorado e servia de alimento para o espírito alegre e guerreiro do povo do continente. Quando falecia, o corpo de um Griot era colocado, literalmente, dentro de uma gigantesca árvore chamada Baobá, para que suas histórias e canções pudessem continuar brotando e alegrando todos aqueles que as consumiam."






Imagens retiradas do Google



"A Mosca Trapalhona"



Uma mosca viu uma cobra dormindo sobre um monte de lenha e, prestimosa como sempre, foi logo avisando:
-Ó Dona Cobra, fuja daí porque está chegando alguém pra buscar lenha e vendo-a a í pode matá-la. A cobra seguiu o conselho e se enfiou apressadamente na toca de um rato.
Este ao vê-la adentrando a sua casa deu um guincho e fugiu esbaforido pela saída de emergência.
Do lado de fora esbarrou no faisão que começou a berrar. O macaco que dormia, com aquela gritaria deu um pulo tão alto que um galho se partiu caindo na cabeça do elefante que passava por ali naquele momento. O elefante apavorado saiu esmagando tudo o que encontrava a sua frente, e pisou no ninho do ntiétié. O pássaro que tem penas vermelhas como fogo de tão zangado incendiou a planície. Ia passando por ali um veado que queimou as patas, e saiu correndo para se refrescar no rio. estava tão assustado que se esqueceu de gritar avisando as mulheres que se banhavam no rio para que se vestissem. As mulheres sairam correndo e foram se queixar ao chefe da aldeia. O veado foi chamado para se explicar...ele pediu desculpas e pôs a culpa no ntiétié... este foi chamado também, e se defendeu acusando o elefante de culpado.
O elefante ao ser chamado culpou o macaco que culpou o faisão..que culpou o rato...que culpou a cobra...Asssim todos o animais envolvidos na confusão foram chamados para se apresentar ao enfurecido chefe da aldeia até que chegou a vez da mosca !
Esta se explicou dizendo que quis fazer um bem avisando a cobra, mas acabou se dando mal...
O chefe da aldeia reuniu o Conselho Ancião para julgar o caso. A mosca acabou sendo perdoada pelo barulho e confusão que provocou, mas até hoje ela vive por aí ...zumbindo no nariz da gente ! - Bom garotada , por hoje é só !" Disse o vovô Ussumane, levantando-se com uma certa dificuldade. "Boa noite, e durmam bem !"




-------------



A Força


Um conto da África Ocidental


-


imagens retiradas do Google
Os animais decidiram fazer um concurso para ver qual deles era o mais forte.A ideia do concurso foi do Elefante.
— Encontramo-nos todos na quarta-feira. Veremos quem tem FORÇA.
O primeiro a chegar foi o Chimpanzé, que chegou aos saltos.
— Força! Eu tenho força. Vejam só estes BRAÇOS! Esperem só até verem a minha força!
O Chimpanzé sentou-se. Chegou o Veado.
— Força! Olhem para estas PERNAS! Tenho tanta força!
O Veado sentou-se. A seguir veio o Leopardo. Mostrava as garras e rugia.
— Força! Olhem para estas GARRAS! Eu tenho força!
O Leopardo sentou-se. Depois veio o Bode, que baixou os seus chifres fortes.
— Força! Vejam estes CHIFRES! Isto é força.
O Bode sentou-se. Chegou o Elefante. Caminhava muito devagar.
— El…e…fante…significa força.
O Elefante sentou-se. Esperaram e voltaram a esperar. Faltava mais um animal.
Finalmente o Homem chegou, a correr.
— Força! Força!
O Homem exibia os seus músculos.
— Eis-me aqui! Podemos começar!
O Homem tinha trazido a sua espingarda para a floresta e tinha-a escondido nos arbustos. Era por isso que estava atrasado. O Elefante encarregou-se de dar início ao concurso.
— Agora que o Homem chegou, podemos começar. Chimpanzé, mostra-nos a tua força!
O Chimpanzé deu um pulo. Correu para uma pequena árvore e trepou-a. Dobrou-a e deu-lhe um nó. Desceu da árvore e disse:
— Então? Isto não é força?
Os animais exultaram.
— Força! Força! Força! Força! Isso é que é força!
Depois acalmaram.
— Bem…Chimpanzé. Senta-te. O próximo!
O Veado pôs-se de pé com um salto. Correu três quilómetros em direcção à floresta. Correu outros três quilómetros de volta. Nem sequer estava ofegante. Vangloriou-se:
— Vejam só! Se isto não é força…
Os animais concordaram.
— Força! Força! Força! Força! Isso é que é força!
— Bem…Veado. Senta-te. O próximo!
O Leopardo pôs-se de pé e esticou as garras enormes. Começou a esgravatar a terra. Scrung…scrung…scrung…scrung… Como o pó voava! Os animais saltaram para trás. Estavam assustados. O Leopardo perguntou:
— Aaaah! Isto é força ou não é?
— Força! Força! Força! Força! Isso é que é força!
— Bem… Leopardo. Senta-te. O próximo!
O Bode era o seguinte. Baixou os chifres enormes. Havia por ali um campo de canas e o Bode começou a escavar o campo. Shuuu…shuuu…shuuu…shuuu… Os chifres fizeram uma estrada através do campo. O Bode voltou-se. E escavou outra estrada até ao lugar onde estavam os animais. Depois perguntou:
— Não é força, isto?
Os animais ficaram impressionados.
— Força! Força! Força! Força! Isso é que é força!
— Bem… Bode. Senta-te. A seguir?
A seguir vinha o Elefante. Havia muitas árvores em redor que cresciam bem juntas. O Elefante encostou o seu ombro enorme de encontro às árvores. E eennhh…eeennhh… eeennhh…kangplong! As árvores caíram todas. O Elefante exclamou:
— Que tal? Isto não é força?
Os animais ficaram impressionados.
— Força! Força! Força! Força! Isso é que é força!
— Bem… Elefante. Senta-te. O próximo!
Era a vez do Homem. O Homem correu para o meio do círculo. Começou a rodopiar. Deu saltos mortais. Fez a roda. Fez o pino. Volteou em redor deles sem cessar. Depois parou e perguntou:
— Força! Força! Isto não é força?
Os animais entreolharam-se.
— Bem…foi excitante.
— Mas era força, aquilo?
— Nem por isso…
— Só sabes fazer isso?
O Homem sentiu-se insultado.
— Muito bem, então vejam isto!
O Homem subiu a uma palmeira. Tão depressa! Tão depressa! Atirou cocos da palmeira. Desceu da árvore. Perguntou de novo:
— Força! Força! Isto não é força?
Os animais olharam para ele.
— Chamarias àquilo força?
— Só subiu a uma árvore.
— Isso não é bem força.
— Há mais alguma coisa…?
O Homem estava zangado.
— Força? Eu mostro-vos o que é FORÇA!
O Homem correu para o arbusto. Agarrou na arma. Correu de novo para junto deles. O Homem apontou a arma ao Elefante. Ting… Puxou o gatilho. Kangalang! O Elefante tombou. Estava morto. Morto. O Homem dava pulos e gabava-se:
— Força! Força! Isto não é FORÇA?
O Homem olhou em redor. Os animais tinham ido embora. Tinham fugido para a floresta.
— Força!…
Não havia ninguém para o ouvir gabar-se. O Homem estava sozinho. Na floresta, os animais juntaram-se a um canto para trocar impressões.
— Viste aquilo?
— Era força aquilo?
— Chamarias àquilo força?
— Não. Aquilo era MORTE.
— Aquilo era MORTE.
A partir desse dia, os animais não voltaram a caminhar com o Homem. Quando o Homem entra na floresta, tem de caminhar sozinho. Os animais ainda falam do Homem… Da criatura Homem… O Homem é aquele que não conhece a diferença entre força e morte.


Estas Histórias foram retiradas do blog da Betty:




*

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A fábula da águia e da galinha

-

Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana,narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. Oxalá nos faça pensar sempre a respeito.

"Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha. Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: - Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia. - De fato, disse o homem.- É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras. - Não, retrucou o naturalista.- Ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um dia voar às alturas. - Não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia. Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse: - Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe! A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou: - Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!- Não, tornou a insistir o naturalista. - Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe: - Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas. O camponês sorriu e voltou a carga: - Eu havia lhe dito, ela virou galinha! - Não, respondeu firmemente o naturalista. - Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar. No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: - Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe! A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte. Foi quando ela abriu suas potentes asas.Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto. Voou. E nunca mais retornou.

" Existem pessoas que nos fazem pensar como galinhas. E ainda até pensamos que somos efetivamente galinhas. Porém é preciso ser águia. Abrir as asas e voar. Voar como as águias. E jamais se contentar com os grãos que jogam aos pés para ciscar."
Extraído de artigo publicado pela Folha de São Paulo, por Leonardo Boff, teólogo, escritor e professor de ética da UERJ.

Email enviado por Geanne Amorim.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...