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HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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domingo, 22 de maio de 2011

66H MMN - O Lobo e Os Sete Cabritinhos

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Era uma vez uma cabra, que morava com seus sete cabritinhos em uma linda casinha com quintal e jardim.Naquela manhã, estavam todos assistindo televisão antes de mamãe sair para o mercado, fazer compras:A notícia de última hora dizia:- Cuidado: há um lobo mau solto por aí. Foi visto pela última vez fugindo para perto do rio. Todos estamos trabalhando para caçá-lo, mas até agora ele continua solto. As crianças devem ficar em casa até que ele esteja bem preso.- Ah! Logo hoje que íamos começar nosso clube novinho lá fora!Mamãe cabra não quis saber: falou sério com seus sete cabritinhos, e todos entenderam muito bem.- Ninguém sai de casa hoje enquanto vou ao mercado. A porta fica fechada com a chave. Não abram para ninguém. Vocês conhecem a mamãe: quando voltar, chamarei pela janela com minha voz de sempre, e baterei de levinho no vidro com minha pata clarinha e de unhas curtas. Aprendam que o lobo mau tem um vozeirão terrível e uma pata escura enorme cheia de unhas gigantes. Muito cuidado!- Está bem, então. Pode confiar em nós. Vamos ficar bem atentos.E lá se foi a cabra para as compras ...
Encontrou sua amiga no caminho, e foi logo comentando como estava preocupada em sair para o mercado com aquele lobo mau solto por aí...O que elas não sabiam, é que o lobo mau disfarçado estava ali bem pertinho escutando tudo, e pensando: "Sete cabritinhos sozinhos em casa, e eu com tanta fome!"Correu para a casa, jogando fora seu disfarce, tentou abrir a porta, e viu que estava trancada.- Abram a porta! Está trancada!
- Não vamos abrir nada, seu lobo bobo. A voz da mamãe é suave e macia, só vamos abrir para ela! Então o lobo ficou furioso. Tinha que ter alguma idéia. Aqueles cabritinhos só iam abrir para a mãe, mas como enganá-los? Ahá! O lobo correu até a confeitaria, escolheu a melhor torta de maçã e mel, que engoliu inteirinha, querendo adoçar a voz. Treinou falar cantadinho como as mães dos outros.-Abram a porta! É a mamãe!
Aquela não parecia mais a voz do lobo, e os cabritinhos ficaram em dúvida se a mãe tinha ficado com esta voz diferente. Lembrando dos conselhos recebidos, eles disseram:
- Se é a mamãe, mostre sua patinha na janela.
E o lobo, pego de surpresa, mostrou mesmo.
- Vá embora seu lobo mau! As patinhas da mamãe são bem clarinhas! E sem garras!
Então o lobo teve outra idéia: correu até o moinho e afundou as patas na farinha branquinha, para enganar os tolos. Bateu de volta na porta, ainda adoçando a voz, e novamente foi parar com a pata na janela: desta vez ele encolheu bem as unhas:
Os cabritinhos ficaram em dúvida, olharam uns para os outros, e resolveram abrir a porta.
Para que? Foi uma correria danada, todos tentando se esconder. Tinha cabritinho escondido na,também tinha na, na lareira, nos armários, em baixo da mesa, em toda parte. O lobo foi caçando um por um, engolindo por inteiro cada cabritinho de tanta fome que estava. Perdeu a conta de quantos cabritinhos já tinham entrado naquele barrigão cheio, e foi embora, pensando não ter deixado sobrar nenhum. Estava enganado: apenas o cabritinho pretinho não foi encontrado em seu esconderijo:O tic-tac tic-tac atrapalhou o ouvido do lobo, que não ouviu o coraçãozinho assustado que estava escondido lá dentro.
Quando mamãe cabra viu a porta aberta, já entrou esperando pelo pior.
-O lobo levou todos os meus filhinhos!- Todos, não mamãe. Eu ainda estou aqui!
Os dois se abraçaram muito, e decidiram ir atrás do lobo, para ver se ainda podiam salvar os irmãozinhos. Correram em direção ao rio, onde souberam pela TV que era o esconderijo dele. Ao chegarem perto, logo ouviram um som terrível: ROM... URM... ROM... Era o lobo roncando, dormindo sob as árvores na beira do rio.Mamãe cabra teve uma idéia, e disse ao filho:
- Não faça nenhum barulho para não acordar o lobo. Corra com toda sua velocidade até lá em casa, e traga a cesta de costura da mamãe: veja que tenha tesoura, agulha e linhas.
O cabritinho nem respondeu: saiu correndo como o vento, e logo estava de volta com sua encomenda.Mamãe cabra não perdeu tempo: com sua foi abrindo o barrigão do lobo enquanto ele estava dormindo. Logo foram saltando vivinhos, um por um, os seis cabritinhos que ele tinha engolido. A todos mamãe pedia silêncio. Quando todos saíram, ela disse em segredo:
- Vão procurar as pedras maiores e mais pesadas que encontrarem, mas não façam barulho, nem demorem.Logo chegavam pedras em quantidade suficiente: mamãe colocou todas na barriga do lobo, e costurou rápido com agulha e linha. Então foram todos se esconder.
Quando o lobo acordou, sentiu a barriga muito pesada e a boca muito seca. Levantou-se com muito esforço, e quase não conseguiu ficar de pé ("foram seis ou sete cabritinhos?"). E foi se arrastando até o rio querendo beber água. A correnteza estava forte, e o lobo com a barriga cheia de pedras acabou indo parar no fundo do rio, de onde nunca mais saiu.
E todos puderam comemorar o fim do malvado, e a sorte de todos os pequenos, que agora corriam livres pelo caminho para casa, para um novo dia.

terça-feira, 10 de maio de 2011

65H MMN - A Joaninha Cansada

Imagem do Google
Enquanto Isto no Mundo Novo




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Era uma vez uma joaninha. Pintas pretas sobre fundo encarnado,
conhecem o género, não conhecem?
Bem. Como ia contando: era uma vez uma joaninha... O que ela se
enfastiava quando uma menina qualquer a prendia entre os dedos, para
lhe soprar a lengalenga do costume: ?Joaninha voa, voa, que o teu pai
está em Lisboa". Largada, depois, ares fora, a nossa joaninha
refilava:
- Mas qual pai? Mas qual Lisboa?
O pai dela, coitado, morrera há tempos, e a cidade de Lisboa não
estava nos seus projectos de viagem. Que mania!
Por isso a joaninha resolveu mascarar-se de escaravelho. Vestiu um
pijama às riscas e pronto. Ninguém diz: ?Escaravelho voa, voa, que o
teu pai está em Lisboa". Não dá jeito.
Com o que ela não contava era com o Dr. Bisnaga, cientista estudioso
de escaravelhos e do grande dano que eles causam à fruta e às batatas.
Pois o Dr. Bisnaga viu aquele exemplar um tanto fantasista, ainda não
classificado entre as suas variedades, e zás! Agarrou-o com uma pinça,
meteu-o num frasquinho e ala com ele para o seu laboratório, em
Lisboa.
Depois classificou-o. Deu-lhe um nome, por sinal o seu, ?Escaravelho
Bisnaguense", visto que se sentia o descobridor e, até certo ponto, o
pai daquela preciosidade. Por fim, tirou-lhe o retrato, para um grande
álbum de escaravelhos que estava a preparar, e foi à vida, à sua vida
de incansável investigador de escaravelhos.
Ficaria a pobre joaninha condenada a prisão perpétua, não se tivesse
desfeito, a tempo, do pijama às riscas.
- Uma vulgar joaninha no meu laboratório? - alarmou-se o sábio. - Fora daqui.
E atirou-a pela janela...
A joaninha saltou e, atarantada, esvoaçou sobre a fumarada da cidade.
Depois, mais decidida, voou desta história para fora. Uf! Chega de
aventuras.
Se a virem por aí, deixem-na viver sossegada o seu próprio destino de
joaninha sem nome. Ela agradece.


domingo, 31 de janeiro de 2010

Muçá Muçá - 8H MMN

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-Era uma vez uma floresta, onde viviam muitos animais.
Um dia apareceu uma frutinha nova, que ninguém conhecia, na árvore mais alta daquele lugar.
Todos queriam comer, mas não sabiam seu nome, e se ela era boa ou venenosa. Eles sabiam que naquela floresta havia frutas boas, que podiam comer, mas havia outras coisas venenosas, lindas para enganar os bobos:
Então, os animais se reuniram e decidiram escolher um deles para ir lá no céu e perguntar a Papai-do-Céu o nome da fruta: se fosse maçã, banana, abacate, laranja, ou outra frutinha boa, todos poderiam comer bastante, pois a árvore estava cheia! Todos ficaram muito animados...Todos?
Menos a bruxa, que escutava com muita raiva aquela combinação toda. Aquela frutinha era só dela, e não ia dividir com ninguém! Já tinha até um plano...
Primeiro foi a vez do pássaro verde, que abriu rápido as asas, voou lá no alto, e logo chegou à casa de Papai-do-Céu. Perguntou o nome da frutinha que se chamava muçá, e voltou todo contente cantando a música da frutinha que era boa:
- Muçá, muçá, muçá, muçá gambira, muçá uê.
Mas, a bruxa ciumenta da frutinha inventou uma música com o nome de uma fruta venenosa, para enganar o0 pássaro verde:
- Munga selenga engambela, munga selenga vininim!
E o pássaro verde voltou cantando atrapalhado:
- Mungá, mungá... ih! esqueci!
Aí foi a vez do coelho, que disparou pelas montanhas e logo chegou lá no céu. Mas, este a bruxa também enganou.
Então foi o Jacaré, que disparou pela cachoeira e logo chegou, mas a bruxa enganou até o jacaré.
Depois foi o Gamba, mas a bruxa esperta também atrapalhou sua cantoria com aquele:
- Munga selenga engambela, munga selenga vininim!
O sapo também tentou, e com seu salto muito alto chegou rapidinho lá no céu. Voltou cantando a música da frutinha que era boa:
- Muçá, muçá, muçá, muçá gambira, muçá uê.
Mas a bruxa também atrapalhou as idéias do sapo, com sua música encantada de fruta venenosa. E o sapo cantou:
- Mungá, mungá... ih! esqueci!
Quase todos já tinham ido, quando olharam desanimados para o único animal que ainda não tinha tentado:
- Ah! A tartaruga é muito mole! Quando voltar, todas as frutinhas já terão apodrecido!
- Ando devagar, mas sou muito esperta. Onde todos vocês falharam, eu vou vencer, e vou trazer o nome verdadeiro da frutinha para sabermos se podemos comer.
E lá se foi a tartaruga, bem devagarinho, bem devagarinho, até que um dia chegou ao céu, como todos os outros. Aprendeu a música da frutinha boa e voltou cantando a seu jeito, também muito devagarinho:
- Mu...çá..., mu...çá..., mu...çá..., mu...çá... gam...bi...ra..., mu...çá... uê...
A bruxa cantava bem rapidinho:
- Munga selenga engambela,
munga selenga vininim!
Mas a tartaruga continuava:
- Mu...çá..., mu...çá..., mu...çá..., mu...çá... gam...bi...ra..., mu...çá... uê...

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A bruxa foi ficando com tanto sono... e pensou: vou dormir só um pouquinho aqui na minha vassoura, e logo vou atrapalhar essa tartaruga molenga. E começou a roncar.
Enquanto isso, os outros animais esperavam muito desanimados lá embaixo.
A tartaruga continuou, bem devagarinho, bem devagarinho, e foi chegando... chegando... e chegou!
E contou prá toda a bicharada a música da frutinha boa, que todos aprenderam rapidinho!
Combinaram comer todas as frutinhas e não deixar nenhuma prá bruxa malvada, que roncava alto.
Quando a bruxa acordou e viu a árvore toda peladinha, ficou uma fera! Olhou feio para a bicharada lá em baixo e...
Todo mundo apontava para ela e caía na gargalhada!
Quem já não estava mais comendo, cantava:
- A tartaruga enganou a bruxa!
- A tartaruga enganou a bruxa!
A bruxa ficou tão envergonhada, que voou na sua vassoura para longe daquela floresta, e nunca mais voltou!
... E todos ficaram felizes naquele lugar.
Com eles aprendemos que somos todos diferentes uns dos outros e que, mesmo aquela diferença cretina que a gente detesta carregar pode ser a razão da vitória de todos nós, no momento certo.

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Texto enviado por Érika Rodrigues.

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O Patinho Feio - 3H MMN

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Era verão e os dias estavam lindos. O feno formava pilhas nos prados e campinas. As cegonhas caminhavam com suas longas pernas vermelhas, tagarelando umas com as outras. No meio de um grande bosque, havia um lindo lago. No ponto mais ensolarado, à beira do lago, via-se uma velha mansão. A grama, muito bem aparada, ia da casa até a beira da água. A paisagem era realmente encantadora. No meio da folhagem do bosque, uma pata, no seu ninho, aguardava os patinhos que iam nascer. Já estava bem cansada de estar ali tanto tempo. Além disso, quase não recebia visitas, pois os outros patos gostavam mais de nadar do que sentar-se em baixo das folhas para tagarelar com ela. Afinal, os ovos começaram a estalar, um após outro. Os patinhos puseram as cabecinhas para fora e saltaram da casca. Dona Pata grasnou de contentamento e eles responderam baixinho: "Quá, quá, quá!!!"Muito admirados, olhavam para todos os lados. A mamãe deixou-os olhar tanto quanto quiseram, pois a cor verde das folhas faz muito bem aos olhos.- Como é grande e claro o mundo cá fora! Exclamaram os patinhos.- Vocês pensam que o mundo é só isso? Perguntou Dona Pata. Ele se estende para o outro lado do bosque e vai seguindo até perder-se de vista. Bem, penso que vocês já estão todo aqui, não é?Ela se levantou e olhou à volta.- Não, ainda falta um. O ovo maior está intacto. Quanto tempo levará?Dizendo isto, Dona Pata sentou-se novamente no ninho.- Olá, como vai passando? Perguntou uma pata velha que veio fazer-lhe uma visita. - Vou bem, obrigada, apenas um pouco aborrecida porque a casca deste ovo ainda não se partiu. Entretanto, você já pode olhar os outros patinhos. São os mais lindos que já vi, exatamente igual ao pai. Aquele maroto há muito não me aparece...- Deixe-me olhar o ovo que ainda não se abriu, disse a velha pata. Huuummm! Você pode ter certeza que é ovo de perua. Eu já fui enganada assim, uma vez, e só tive aborrecimentos, pois peru tem medo de água. Grasnei e mordi-os, mas não consegui atirá-los na água. Deixe-me ver o ovo. Não resta dúvida, é de perua! Não perca seu tempo, deixe-o sozinho e ensine os outros a nadarem.- Chocá-lo-ei mais um pouco, disse a pata.- Desejo-lhe boa sorte. Passe bem.A velha pata foi-se embora. Daí a algum tempo, o ovo começou a estalar e, de lá de dentro, foi saindo um patinho muito grande e simplesmente feio. Dona Pata olhou-o muito desapontada e exclamou:- Que patinho monstruoso! Não se parece com nenhum dos outros. Será que é filho de perua? Bem, logo descobrirei isto. Irá para a água, nem que eu tenha que empurrá-lo.O dia seguinte amanheceu lindo. O sol brilhava sobre a folhagem. A mamãe pata foi com sua ninhada até o lago. Atirou-se na água e chamou os filhinhos:- Quá! Quá! Quá! Disse ela e eles, uns atrás dos outros, foram-se atirando. A água cobriu suas cabecinhas mas eles levantaram-se e flutuaram lindamente. Suas patinhas moveram-se e lá foram eles nadando. Até o feioso nadou.- Não, este não é peru, disso Dona Pata. Sabe usar muito bem as patas e mantém-se ereto sobre a água. Afinal de contas, é meu filho e, talvez, quando crescer não seja tão feio.

Quá! Quá! Quá! Venham comigo. Vou apresentá-los no quintal. Fiquem sempre perto de mim, para não serem pisados, e muito cuidado com o gato.Foram, então, ao quintal. Havia lá horrível confusão. - Endireitem as patinhas, disse ela. Grasnem apropriadamente e inclinem a cabeça diante da velha pata. Ela é a mais importante de todas nós aqui. Tem sangue espanhol nas veias. Tem uma argola vermelha numa das patas, o que indica sua boa raça. Lá vem ela. Vamos, grasnem, inclinem a cabeça.Eles fizeram exatamente o que a mãe recomendou. Os outros patos olharam-se e comentaram:- Agora teremos que suportar esta outra tribo, como se não fossemos suficientes! Cruzes! Que patinho feio aquele lá atrás!Dizendo isto, um dos patos saiu correndo e bicou o pobre bichinho no pescoço.- Deixe-o em paz! pediu Dona Pata. Ele não lhe está causando nenhum dano.- Relalmente não está, mas acontece que ele é tão feio e esquisito que não pude controlar-me, respondeu o malvado.- Seus filhinhos são lindos, exceto aquele ali, disse a pata velha. Está se vendo que não é de boa raça.- Realmente ele não é bonito, mas é muito bonzinho e nada tão bem quanto os outros. Talvez no futuro ele melhore, disse Dona Pata e acariciou o pescoço do filhinho.- Fiquem à vontade, crianças e, se acharem uma minhoca, podem trazê-la para mim.Depois disso, os patinhos sentiram-se mais à vontade. O feioso, coitado, levou bicadas e foi sacudido pelos outros patos e até pelas galinhas. Estava desesperado e não sabia que rumo tomar. Servia de galhofa para todos. Os dias foram-se passandp e, cada vez, ele se via mais atropelado. Até seus irmãos costumavam aborrecê-lo, dizendo:- Se ao menos o gato pegasse esta coisa horripilante...Sua própria mãe disse um dia:- Eu desejava vê-lo bem longe de mim.Os patos o bicavam, as galinhas o espicaçavam e a menina que os alimentava sempre o deixava de lado.Certo dia, não aguentando mais aquela situação, ele fugiu e chegou à sebe onde os passarinhos se aninhavam.- Não tenho culpa de ser tão feio! pensou ele, muito, muito triste.Continuou a andar até que chegou a um campo, onde viviam patos selvagens. Estava tão cansado que passou a noite lá. Pela manhã, os patos selvagens foram inspecionar seu novo companheiro.- Que espécie de bicho é você? lhe perguntaram assim que ele os cumprimentou. Você é horrivelmente feio, mas isto não tem importância. Pode ficar aqui, desde que não pretenda casar-se em nossa família.Pobre patinho! Absolutamente não havia pensado em casamento. Ele desejava apenas permissão para ficar ali no meio da folhagem e beber um pouco de água. Ficou lá dois dias inteiros. No fim desse tempo, dois gansos selvagens, muito mal educados, chegaram e disseram:- Você é tão feio, camarada, que até temos pena de você. Há outro lago, aqui perto, onde vivem gansas encantadoras! São doces criaturas que sabem grasnar de momo especial. Reúna-se ao nosso grupo e vamos até lá. Com a sua feiura elas se divertirão bastante!Nesse momento, ressoou um tiro, no alto, depois outro e outro... bandos de gansos selvagens voavam assustados. Havia uma grande caçada. Os caçadores estavam escondidos no arvoredo, à volta do lago. Os cães farejavam à volta, patinhando no pantano. Tudo isso alarmava horrivelmente o pobre patinho feio. Eles enroscou o pescoço para esconder a cabeça debaixo da asa e ficou lá escondido entre os arbustos. Já era tarde quando o barulho cessou. Apesar disso, o patinho não ousava levantar-se. Esperou muitas horas ali sentado. Finalmente tomou coragem, olhou à sua volta e voou o mais depressa que pode. Correu por campos e prados. Ventava tanto que era difícil equilibrar-se. Tarde da noite, chegou a um casebre. Era tão miserável que se mantinha em pé por milagre. O vento assobiava tão ferozmente, e de repente ele notou que o vento abrira a porta do casebre. Resolveu, então entrar para abrigar-se. Lá vivia uma senhora idosa, com um gato e uma galinha. O gato, que se chamava Mimi, arqueava as costas, ronronava e seus olhos lançavam chispas, pedindo que o acariciassem. A galinha tinha patas tão curtas que era, por isso, chamada Baixotinha. Punha ovos deliciosos e a senhora gostava dela como se fosse sua filha. Pela manhã, o patinho foi descoberto. O gato começou a ronronar e a galinha cacarejou. - Que será isto? perguntou a senhora, olhando ao redor. Ela não enxergava bem e pensou que o patinho fosse uma pata grande que tivesse fugido de algum lugar.- Que bom achado! exclamou a senhora. Agora terei ovos de pata, caso não seja um pato. Esperemos para ver. Durante três semanas o patinho esteve em observação, mas os ovos não apareçeram.O gato e a galinha eram donos da casa e, por isto, julgavam-se muito importantes. A galinha perguntou ao patinho:- Você põe ovos?- Não, respondeu o patinho humildemente.- Você sabe arquear as costas e ronronar? perguntou o gato.- Também não, tornou a responder o patinho.- Pois então, fique sabendo que é um grande tolo, disse a galinha.O patinho sentou-se num canto, cozinhando o seu mau humor. De repente, apossou-se dele um grande desejo de nadar ao sol, sentindo a frescura da manhã. E então ele resolveu ir embora novamente. Atirou-se na água, nadou e mergulhou, sentindo-se mais calmo depois disto. Entretanto, continuava a ser olhado com indiferença pelas outras criaturas, por causa da sua feiúra. O outono chegou. As folhas foram ficando amareladas. Os dias foram passando e o vento soprava sempre mais forte e o céu estava ficando cada vez mais pesado de nuvens. O patinho ficou amedrontado. Chegou o inverno. Uma tarde, quando o sol se punha, um bando de bonitos pássaros surgiu do arvoredo. O patinho nunca havia visto animais tão belos. Eram deslumbrantemente brancos, com pescoços longos e curvos. Eram cisnes. Espalhavam suas largas asas e voavam das regiões frias para as terras quentes. Voavam tão alto, que o patinho sentiu-se estranhamente inquieto. Durante muito tempo nadou, acompanhando o vôo dos cisnes. Não os conhecia, mas sentia-se estranhamente atraído para perto deles. Intimamente desejou ser assim tão bonito. O inverno estava tão amargamente frio, que o patinho teve que nadar muitas vezes, à volta do lago, para se aquecer. Entretanto a superfície do lago cada vez diminui a mais e, finalmente, congelou-se. O patinho teve que ajeitar as patinhas para não vira sorvete, mas acabou ficando cansado. De manhã cedo, um camponês vinha andando e viu-o ali, quase morto. Apanhou-o e levou-o para casa, entregando-o à esposa. Lá ele reviveu. As crianças quiseram brincar com ele, mas o coitado teve medo de ser maltratado. Por isso, meteu-se na panela do leite, esparramando-o por todo o lado. A mulher do camponês gritou e sacudiu as mãos, deixando-o ainda mais assustado. Voou, então, para a batedeira de manteiga, fazendo novo estrago. A mulher, aborrecida, quis bater-lhe com uma vara. As crianças esbarravam umas nas outras, na tentativa de segurá-lo. Por sorte, a porta estava aberta, e o patinho saiu voando. Meteu-se no meio das árvores, mas acabou caindo outra vez na neve. Estava exausto. Seria muito triste descrever todas as privações que ele teve que suportar até o final do inverno. Quando o sol começou novamente a brilhar, o patinho foi para o lago. As cotovias cantavam e a primavera vinha chegando. Ele já estava mais crescido e sacudia as asas com, mas força do que antes. Voou e encontrou-se num bonito pomar, onde as macieiras estavam em flor. No ar, sentia-se o perfume dos lilases. A frescura da primavera estava deliciosa! Exatamente à sua frente, encontrou três cisnes, que avançavam em sua direção, deslizando suavemente sobre a superfície do lago. O patinho logo os reconheceu. Eram os mesmos cisnes que ele havia visto voando. Ficou possuído de uma estranha melancolia. - Voarei até os pássaros reais e, com certeza, virar-me-ão as costas, por causa da minha feiúra, mas não faz mal. Prefiro ser morto por eles do que mordido pelos patos, bicado pelas galinhas, espancado pela mulher do camponês e ainda suportar a rigidez do inverno. Assim pensando, voou em direção dos cisnes. Eles o viram e se aproximaram, gentilmente, ruflando as asas. - Matem-me, disse ele.Abaixou a cabeça e ficou esperando a morte, mas, através da água transparente, que ele viu?Com grande surpresa, viu sua própria imagem refletida na água. Ele não era mais aquele patinho feio, cinzento e desajeitado. Era um belo cisne!Ficou verdadeiramente emocionado. Os cisnes grandes nadavam à sua volta, como se quisessem render-lhe homenagem. Algumas crianças vieram ao lago trazendo pedacinhos de pão para eles. A menor exclamou:- Hoje há mais um cisne, e como é bonito!!!As outras crianças disseram: - Ele é o mais belo de todos e é muito jovem.Os velhos cisnes inclinaram as cabeças, em sinal de respeito, e depois acariciaram-no com o bico.O cisnezinho ficou encabulado e escondeu a cabecinha embaixo da asa. Apesar de muito contente, não estava orgulhoso, pois quem tem bondade no coração não sente orgulho. Lembrou-se de tudo o que sofrera e deu graças a Deus por ser agora tão feliz!

O Patinho Feio (em dinamarquês Den grimme ælling) é um conto de fadas
do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen publicado pela primeira vez em 11 de Novembro de 1843 em Nye Eventyr.
Resumo da História:
Um filhote de
cisne é chocado no ninho de uma pata. Por ser diferente de seus irmãos, o pobre é perseguido, ofendido e maltratado por todos os patos e galinhas do terreiro.
Um dia, cansado de tanta humilhação, ele foge do ninho. Durante sua jornada, ele para em vários lugares, mas é mal recebido em todas. O pobrezinho ainda tem de agüentar o frio do
inverno.
Mas, quando finalmente chega a
primavera, ele abre suas asas e se une a um majestoso bando de cisnes, sendo então reconhecido como o mais belo de todos.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

A Galinha Ruiva - 2H MMN

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Um dia uma galinha ruiva encontrou um grão de trigo. - Quem me ajuda a plantar este trigo? - perguntou aos seus amigos. - Eu não - disse o cão. - Eu não - disse o gato.- Eu não - disse o porquinho. - Eu não - disse o peru. - Então eu planto sozinha - disse a galinha. - Cocoricó! E foi isso mesmo que ela fez. Logo o trigo começou a brotar e as folhinhas, bem verdinhas, a despontar. O sol brilhou, a chuva caiu e o trigo cresceu e cresceu, até ficar bem alto e maduro. - Quem me ajuda a colher o trigo? - perguntou a galinha aos seus amigos. - Eu não - disse o cão. - Eu não - disse o gato. - Eu não - disse o porquinho. - Eu não - disse o peru. - Então eu colho sozinha - disse a galinha. - Cocoricó! E foi isso mesmo que ela fez. - Quem me ajuda a debulhar o trigo?- perguntou a galinha aos seus amigos.- Eu não - disse o cão. - Eu não - disse o gato. - Eu não - disse o porquinho. - Eu não - disse o peru.- Então eu debulho sozinha - disse a galinha. - Cocoricó! E foi isso mesmo que ela fez. - Quem me ajuda a levar o trigo ao moinho? - perguntou a galinha aos seus amigos. - Eu não - disse o cão. - Eu não - disse o gato. - Eu não - disse o porquinho. - Eu não - disse o peru. - Então eu levo sozinha- disse a galinha. - Cocoricó! E foi isso mesmo que ela fez. Quando, mais tarde, voltou com a farinha, perguntou: - Quem me ajuda a assar essa farinha? - Eu não - disse o cão. - Eu não - disse o gato.- Eu não - disse o porquinho.- Eu não - disse o peru.- Então eu asso sozinha - disse a galinha.- Cocoricó! A galinha ruiva assou a farinha e com ela fez um lindo pão. - Quem quer comer esse pão? - perguntou a galinha. - Eu quero - disse o cão. - Eu quero - disse o gato.- Eu quero - disse o porquinho. - Eu quero - disse o peru.- Isso é que não! Sou eu quem vai comer esse pão!- disse a galinha. - Cocoricó. E foi isso mesmo que ela fez.

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MoraL da História:

Se queremos dividir a recompensa, devemos compartilhar o trabalho.


Do livro: O livro das Virtudes para Crianças



Conto Popular Inglês


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A Estreia da Abelha Chocolateira - 1H - MMN


Era uma vez uma abelha que não sabia fazer mel.
- Mas você é uma operária! - gritava a rainha - Tem que aprender.
Na colméia havia umas 50 mil abelhas e Anita era a única com esse problema.
Ela seesforçava muito, muito mesmo.
Mas nada de mel...
Todos os dias, bem cedinho, saía atrás das flores de laranjeira,
que ficavam nas árvores espalhadas pelo pomar.
Com sua língua comprida, ela lambia as flores elevava seu néctar na boca.
O corpinho miúdo ficava cheio de pólen,
que ela carregavae largava, de flor em flor, de árvore em árvore.
Anita fazia tudo direitinho.
Chegava à colméia carregada de néctar para produzir o mais gostoso e esperado mel e nada!
Mas um dia ela chegou em casa e de sua línguasaiu algo muito escuro.
- Que mel mais espesso e marrom...
- gritaram suas colegas operárias.
- Iac, que nojo!
- esbravejaram os zangões.
Todo mundo sabe que os zangões se zangam à toa,
mas aquela história estava ficando feia demais.
Em vez de mel, Anita estava produzindo algo doce, mas muito estranho.
- Ela deve ser expulsa da colméia! - gritavam os zangões.
- É horrorosa, um desgosto para a raça! - diziam outros ainda.
Todas as abelhas começaram a zumbir e a zombar da pobre Anita.
A única que ficouao lado dela foi Beatriz,
uma abelha mais velha e sábia.
Um belo dia, um menino viu aquele
mel escuro e grosso sobre as plantas próximas da colméia,
que Anita tinha rejeitado de vergonha.
Passou o dedo, experimentou e,surpreso, disse:
- Que delícia. Esse é o mais saboroso chocolate que eu já provei na vida!
- Chocolate? Alguém disse chocolate?
- indagou a rainha, que sabia que o chocolatevinha de uma fruta, o cacau, e não de uma abelha.Era mesmo um tipo de chocolate diferente, original, animal,
feito pela abelha Anita,ora essa, por que não...Nesse momento, Anita, que ouvia tudo,
esboçou um tímido sorriso. Beatriz, quetambém estava ali, deu-lhe uma piscadela,
indicando que tinha tido uma idéia brilhante.
No dia seguinte, lá se foram Anita e Beatriz iniciar uma parceria incrível:
fundaramuma fábrica de pão de mel,
juntando o talento das duas para produzir uma deliciosa combinação
de mel com chocolate.
Moral da história:
As diferenças e riquezas pessoais, que existem em cada um de nós,
são singulares e devem ser respeitadas.
Fábula de Katia Canton.
*

História para todos apetites e idades.
Bjs Melados,
Nice Baêta.
* * *
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