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HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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domingo, 30 de junho de 2013


O Príncipe de Hizen, um distinto membro da família Nabeshima, permaneceu no jardim com Otoyo, a favorita entre as suas concunbinas. Quando o sol se pôs se retiraram para o palácio, mas não conseguiram perceber que eles estavam sendo seguidos por um grande gato(1).

Otoyo foi para seu quarto e dormiu. À meia-noite, ela acordou e olhou sobre ela, como se de repente percebesse alguma presença horrível no quarto. Finalmente viu, agachado bem ao seu lado, um gato gigante, e antes que ela pudesse gritar por ajuda o animal pulou em cima dela e a estrangulou. O animal, em seguida, fez um buraco sob a varanda, enterrando o cadáver, e assumiu a forma da bela Otoyo.

O príncipe, que não sabia nada do que havia acontecido, continuou a ficar com a falsa Otoyo, sem saber que na realidade ele estava acariciando um animal imundo. Ele percebeu, pouco a pouco, que sua força falhava, e não demorou muito para que ele se tornou perigosamente doente. Médicos foram chamados, mas nada podiam fazer para curar o paciente real. Foi observado que ele sofria mais durante a noite, e era perturbado por sonhos horríveis. Sendo assim, seus conselheiros dispostos de uma centena de servos deveriam sentar-se com o seu senhor e vigiar enquanto ele dormia.

O grupo foi então para a enfermaria, mas um pouco antes das dez horas, foram acometidos de uma misteriosa sonolência. Quando todos os homens estavam dormindo a falso Otoyo se arrastou para o apartamento e perturbou o príncipe até o amanhecer. Noite após noite os observadores vinham para guardar o seu mestre, mas sempre dormiam na mesma hora, e mesmo três conselheiros fiéis tiveram uma experiência semelhante.

Durante este tempo o estado do príncipe se agravou, e finalmente um sacerdote chamado Ruiten foi nomeado para orar em seu nome. Uma noite, enquanto ele estava envolvido em suas súplicas, ele ouviu um barulho estranho vindo do jardim. A o olhar pela janela, viu um jovem soldado se lavando. Quando ele tinha terminou, ele se dirigiu até uma imagem de Buda, e se ajoelhando, orou fervorosamente para a recuperação do príncipe.

Ruiten, feliz de encontrar tal zelo e lealdade, convidou o jovem a entrar em sua casa, e quando ele entrou, perguntou seu nome.

“Eu sou Ito Soda”, disse o jovem “, e sirvo na infantaria de Nabeshima. Ouvi da doença de meu senhor e esperava para ter a honra de cuidar dele, mas sendo de baixo escalão, não posso estar em sua presença. Tenho, porém, orado ao Buda para que a vida de meu senhor seja poupado. Acredito que o Prince de Hizen está enfeitiçado, e se eu pudesse ficar com ele eu faria meu melhor para encontrar e destruir o poder maléfico que é a causa de sua doença. “

Ruiten estava tão positivamente impressionado com estas palavras que ele foi no dia seguinte se consultar com um dos conselheiros, e após muita discussão, ficou acertado que Ito Soda deve vigiar com as centenas de observadores.

Quando Ito Soda entrou no apartamento real, viu que seu mestre dormia no meio da sala, e ele também observou os cem observadores sentados na câmara conversando tranquilamente, na esperança de que eles seriam capazes de afastar a sonolência que se aproximava. Por volta das dez horas todos eles, apesar de seus esforços, tinham adormecido.

Ito Soda tentou manter os olhos abertos mas o peso das pálpebras foi gradualmente superando-o, e ele percebeu que se quisesse manter acordado ele teria de recorrer a medidas extremas. Após espalhar cuidadosamente papel de seda sobre as esteiras que ele enfiou a adaga em sua coxa. A dor aguda que sentiu repeliu o sono por um tempo, mas ele acabou fechando os olhos mais uma vez. Decidido a superar a magia que se revelou demasiada para os servos, torceu a faca na coxa e, consequentemente, aumentou a dor e manteve a sua vigília leal, enquanto o sangue escorria continuamente sobre o papel.

Enquanto Ito Soda observava, ele viu as portas corrediças abrindo-se e uma linda mulher deslizando suavemente para dentro do cômodo. Com um sorriso ela notou os servos dormindo, e estava prestes a abordar o príncipe quando ela observou Ito Soda. Depois que ela lhe falou rispidamente, ela se aproximou do príncipe e perguntou como ele estava, mas o príncipe estava muito doente para lhe responder. Ito Soda prestou atenção a cada movimento, e acreditava que ela tentava enfeitiçar o príncipe, mas ela sempre era frustrado em seu propósito ruim por cauda dos olhos atentos de Ito Soda, e finalmente ela foi obrigada a se retirar.

Pela manhã os servos acordaram, e ficaram cheios de vergonha quando eles perceberam que Ito Soda manteve seu vigília. Os altos conselheiros elogiaram a lealdade e o espírito empreendedor do jovem soldado, e ele foi ordenado a manter sua observação novamente naquela noite. Ele fez isso, e mais uma vez a falsa Otoyo entrou na enfermaria e, como na noite anterior, ela foi obrigada a recuar, sem ser capaz de lançar um feitiço sobre o príncipe.

Foi descoberto que sempre que o fiel Soda mantinha guarda, o príncipe era capaz de obter um repouso tranquilo, e, além disso, ele começou a ficar melhor, poius a falsa Otoyo, tendo sido frustrada em duas ocasiões, já estava afastada por completo, e o guarda não era mais afetado pelo sono misterioso. Soda, impressionado com essas circunstâncias estranhas, foi até um dos conselheiros e informou que a chamada Otoyo era um duende de alguma espécie.

Naquela noite Soda planejou ir ao quarto da criatura e tentar matá-la, organizando que, no caso, ela dela escapar deveria haver oito servos do lado de fora esperando para capturá-la e a despachando de imediato.

À hora marcada Soda foi ao apartamento da criatura, fingindo que tinha uma mensagem do príncipe.

“Qual é a mensagem?” perguntou a mulher.

“Por favor, leia esta carta”, respondeu Soda, e com estas palavras ele sacou sua adaga e tentou matá-la.

A falsa Otoyo pegou uma alabarda e tentou atacar seu adversário. Golpe seguido de golpe, mas finalmente perceber que fugir iria servi-la melhor do que lutar, ela jogou fora sua arma, e em um momento a bela donzela se transformou em um gato e saltou para o telhado. Os oito homens esperavam lá fora em caso de emergência para atirar no animal, mas a criatura conseguiu enganá-los.

O gato correu a toda velocidade para as montanhas, e causou problemas entre as pessoas que viviam nas redondezas, mas foi morto durante uma caçada ordenada pelo príncipe de Hizen.

O príncipe ficou bom novamente, e Ito Soda recebeu a honra e recompensa que ele tanto merecia.

* Fonte: F. Davis Hadland, mitos e lendas do Japão. (London: Harrap GG and Company, 1913).

Os Fios Dourados Das Histórias

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A fonte do saqué


Imagens do Google

Há muitos e muitos anos, no tempo em que a imperatriz Gensho reinava no Japão, morava em Mino, actual Gifu, um lavrador de poucos recursos. Apesar de ser um rapaz muito trabalhador, o que produzia em sua horta não era o suficiente para o sustento dele e de seu velho pai.
O pai também sempre foi pobre e, na idade avançada, pouco podia fazer para ajudar o filho na roça. O filho tratava o pai com carinho, sabia quanto ele tinha se sacrificado pela família. Sempre sonhava com uma maneira de dar algum conforto ao seu pai nos últimos anos de sua vida. O velho gostava muito de saquê (vinho de arroz), porém quase nunca sobrava dinheiro para o moço comprar-lhe uma garrafa.
Certa ocasião, após terminar seus trabalhos na horta de verduras, o rapaz subiu a montanha para cortar lenha. Como fazia de tempos em tempos, levaria a lenha para vender na cidade e conseguir algum dinheiro para comprar saquê para seu velho pai. Seu prazer era ver a cara de felicidade quando seu pai sorvia apetitosamente os goles de saquê.
O moço encheu o carregador de lenhas, colocou-o nas costas e começou a descer a montanha em direcção à cidade. Mas, como havia colocado muita lenha nas costas, veio cambaleando, devido ao grande peso, e acabou escorregando. Rolou morro abaixo até o fundo de um vale, onde ficou desmaiado durante horas.
Mais tarde, despertou todo dolorido e com muita sede. Nisso prestou atenção, pois ouvia o barulho de uma queda d’água. Saiu em direcção ao som e encontrou uma pequena fonte entre rochas e folhagens. Fazendo das mãos uma concha, bebeu a água da fonte e teve uma grande surpresa. Não era água e sim saquê!
Não acreditando no que estava acontecendo, tornou a beber. Realmente era saquê!
Imediatamente, o moço lembrou de seu pai e de quanta alegria ele teria saboreando aquele saquê. Então, encheu de saquê a cabaça, que sempre carregava na cintura para levar água ao seu trabalho.
Quando chegou em casa, seu velho pai estava preocupado com a demora.
– Aconteceu alguma coisa para você demorar tanto a voltar?
– É difícil de acreditar no que houve. Beba um pouco desse líquido enquanto eu conto o que aconteceu.
O pai experimentou o líquido da cabaça e comentou, feliz:
– Esse não é o saquê que você costuma comprar para mim. É muito mais gostoso!
Então, o filho revelou o acontecido no vale em seus mínimos detalhes. O pai, surpreso pela narrativa, comentou:
– Isso é uma graça divina. O deus do saquê agraciou você por ser um bom e dedicado filho. Vamos fazer a oferenda de uma taça de saquê no santuário e rezar a ele em agradecimento.
A partir desse dia, todas as tardes, quando o moço terminava seu trabalho na lavoura, ia buscar saquê na fonte. Voltava com a cabaça cheia para casa e fazia a alegria de seu pai, que o esperava ansiosamente. Assim, pai e filho viveram por muitos anos em perfeita harmonia.
A notícia daquele insólito acontecimento espalhou-se por todo o Japão e chegou aos ouvidos da imperatriz Gensho, que reinou de 715 a 724. Ela resolveu ir pessoalmente conhecer a fonte milagrosa de saquê. Ao experimentar a água da fonte, percebeu que se tratava simplesmente de água e nada mais. Conhecedora da história, ela entendeu que o milagre ocorria somente com aqueles pai e filho. Como o filho era dedicadíssimo ao pai, o deus do saquê fazia com que o pai sentisse o gosto de um delicioso saquê, sempre que bebia aquela água. Então, a imperatriz determinou que fosse construído um jardim em torno da fonte e a baptizou com o nome de Yorô, que significa “tratar bem de idosos”.
Assim, a imperatriz deu vários presentes ao moço, por tratar o pai com muito carinho. Desde então, nasceu o costume ainda vigente de a Casa Imperial Japonesa premiar as pessoas que tratam os idosos com respeito e carinho. E a Cachoeira Yorô é, ainda hoje, um ponto turístico muito visitado no Japão.

Lenda do Japão
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quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Agradecimento da Cegonha


Imagens do Google

Era uma vez um velhote e uma velhota que moravam numa vila.
Um dia, quando o velhote estava a passear, viu uma cegonha que estava com dores. Ela tinha caido numa armadilha. O velhote teve pena, e libertou-a. Ela ficou alegre, e voou pelo céu.
Em casa, disse à velhota que tinha salvo a cegonha. Ela elogiou-o e nessa altura, alguém bateu à porta, o velhote abriu-a e viu uma rapariga linda. Estava a nevar muito lá fora. Ela disse que se tinha perdido e perguntou se podia ficar lá em casa dos velhotes.

Eles tiveram pena e aceitaram- na.
Mas, como no dia seguinte ainda estava a nevar, a rapariga ficou mais tempo, e ela trabalhou muito para os velhotes. Lavou roupa, limpou a casa e fez-lhes massagens. Passados três dias, a rapariga disse que queria ser filha deles. Eles ficaram muito alegres e aceitaram-na.
Ela trabalhava cada dia mais e mais e eles adoravam-na.
Um dia ela pediu ao velhote para ir à cidade e comprar uma agulha e uma linha.

Ele comprou-as e entregou-lhas.
- Agora eu vou fazer uma coisa no quarto. Enquanto estiver lá, não entrem e não olhem lá para dentro, de maneira nenhuma. - disse a rapariga.
Durante 3 dias, os velhotes não entraram no quarto. Então, a rapariga apareceu, mas parecia muito cansada. Tinha um pano bonito na mão e pediu ao velhote para vendê-lo. Ele foi à cidade, vendeu-o e ganhou muito dinheiro. Ficou muito alegre, comprou uma linha linda, uns presentes para a rapariga e para a velhota, e voltou para casa.
A rapariga fez um pano mais uma vez. Era ainda mais bonito que o anterior.
- Nunca vi uma coisa tão bonita! - disse o velhote.
Como ele o vendeu ao shogun, ganhou muito dinheiro e comprou muitos presentes para a família e linha linda para a rapariga.
Um dia, quando a rapariga estava no quarto, a velhota quis olhar para dentro. O velhote pediu-lhe para não olhar porque tinham prometido, mas ela abriu um pouco a porta e espreitou.
Lá dentro, estava uma cegonha. Estava a tirar as penas e estava a fazer um pano lindo. Como tinha tirado as penas, estava quase nua. A velhota ficou surpreendida e fechou a porta.
Imediatamente, a rapariga apareceu do quarto.
Ela tinha um pano lindo e comprido.
- Que pena! Queria estar convosco para sempre, mas como já sabem o que eu sou, não posso ficar aqui. Eu sou a cegonha que salvou naquele dia.
Muito obrigada por tudo. Tenho de sair agora. - disse ela.
Os velhotes choraram e quiseram fazê-la desistir de sair, mas ela transformou-se em cegonha e voou para o céu.
Depois, graças ao pano que a cegonha tinha deixado, os velhotes viveram felizes.



Lenda do Japão.
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

50H MMN - Como Um Velho Perdeu Sua Verruga


Há muito tempo atrás um velhinho morava com sua esposa perto de uma floresta. Na juventude ele fora um belo rapaz, mas à medida que envelhecia, uma feia verruga cresceu-lhe na face, ficando, com a idade, cada vez maior. Durante anos, recorreu a médicos e magos e experimentou pós e poções, mas nada adiantou. Por fim resignou-se com a verruga e tentava mesmo brincar a respeito. Um dia, o velho precisou de lenha para o fogo; foi então para as
montanhas e cortou algumas achas. Fazia um dia fresco de outono e ele
se sentia tão feliz que nem viu as nuvens se adensarem. Quando caíram
as primeiras gotas, correu a procurar abrigo. Encontrou uma árvore oca
e lá se escondeu, no exacto momento em que irrompeu a tempestade.Trovões sacudiam as montanhas e raios cintilavam ao seu redor; ele, porém, estava seco e seguro. Depois de muitas horas, a tempestade amainou e o velho saiu de seu refúgio. Ouviu vozes à distância e
pensou que seus vizinhos tinham vindo à sua procura. Mas quando viu do que se tratava, pasmou horrorizado - uma horda de gnomos e demônios se aproximava! Mais que depressa, volou para seu esconderijo na árvore, tremendo de medo. Os demônios chegaram e um dos gnomos - o mais horrendo de todos e obviamente o chefe - dirigiu-se ao seu bando, dizendo com um gesto: - Vamos dar uma festa aqui. Então o rei-demônio acomodou-se de costas para o velho, na frente da árvore oca. O pobre homem quase desmaiou de medo. Os demónios organizaram rapidamente um piquenique e começaram a cantar. O velho observava atónito - nunca vira nada semelhante. Mas quando os demónios começaram a dançar, não pôde conter o riso. Eram
desajeitados e deselegantes, e todos pareciam ridículos, dando coices para todo lado e caindo. Finalmente, o rei dos demónios com um gesto ordenou aos dançarinos que parassem. - Vocês são ruins demais! - disse, se lastimando. - Não existe ninguém aqui que saiba dançar bem? Ora, o velho adorava dançar e sabia dançar muito bem. - Eu poderia ensinar-lhe uns passos - pensou consigo mesmo, mas não ousava revelar sua presença, temendo que os demónios o matassem. O rei-demónio tornou a perguntar se alguém sabia dançar e o velho continuava dividido entre
seu amor pela dança e seu medo dos demónios. O rei-demónio perguntou uma terceira vez e o velho mandou seus receios às favas. Saiu da árvore e curvou-se perante o chefe dos demónios.
- Eu sei dançar, meu senhor - disse e começou a fazê-lo. Os demónios ficaram escandalizados por terem um homem em seu meio, mas, bem logo, admiraram a arte do velho. Começaram a marcar o ritmo com seus cascos, acompanhando a música e alguns se juntaram ao velho.
Por sua vez, o velho sabia que sua vida dependia de ele dançar bem, de forma que pôs toda sua alma e todo seu coração em seus movimentos e divertiu-se, realmente. Quando parou, o rei-demónio aplaudiu e convidou-o a sentar-se ao seu lado, oferecendo-lhe um copo de vinho.
- Você precisa voltar amanhã para dançar para nós - o rei-demónio disse. - Gostaria muito de vir - respondeu o velho. Um dos conselheiros do rei admoestou-o. - Não se ode confiar nos
homens. Precisamos ficar com algo que nos dê certeza de que ele vai voltar. - Infelizmente, o velho nada trazia de valor consigo. - Bem, então - o rei-demónio disse - vou ficar com isto como penhor - e, estedendo a mão, agarrou a verruga do velho e arrancou-a com a facilidade de quem arranca um pessêgo maduro. - Trate de voltar amanhã - ordenou, e todos os gnomos desapareceram. O velho mal podia acreditar no que acontecera. Passou a mão pelo rosto e percebeu o quão suave - e simétrico! - estava. Ficou tão feliz, que
foi para casa pulando, cantando - e dançando - durante todo o trajecto. A esposa, ao vê-lo livre da verruga, mostrou-se eufórica e ambos celebravam sua boa sorte. Ora, o velho tinha um vizinho malvado e vaidoso que também tinha uma verruga e que nunca se cansara de procurar um tratamento para ela. Quando soube da celebração, foi espiar e ficou perplexo ao ver que a
verruga do velho havia sumido. este homem invejosos imediatamente perguntou o que acontecera e o velho lhe contou a história dos demónios. O vizinho, então, insistiu para ir vê-los, no dia seguinte, em lugar do velho. No dia seguinte, pois, o vizinho vaidoso rumou para as montanhas e encontrou a árvore oca, exactamente como o velho lhe dissera. E, sem sombra de dúvida, ao anoitecer, o bando de demónios apareceu. - Onde está o velho que ia dançar para nós? - o rei-demônio perguntou. O mau vizinho rastejou para fora da árvore, tremendo de pavor. - Aqui estou! - disse e começou a dançar. Ele, no entanto, nunca havia aprendido a dançar; considerava a dança aviltante à sua dignidade de forma que apenas pulava de um lado para outro, agitando os braços. Ele achava que os demónios não iriam notar a diferença, porém o rei ficou ofendido. - Mas que coisa horrível! - o rei-gnomo exclamou. - Você não está dançando como ontem! - O rei não atinara que estava tratando com outra pessoa porque, a seu ver, todos os humanos eram iguais. - Não dá para aguentar! - o rei-demónio gritou, afinal. Vasculhou o bolo e encontrou a verruga. - Olhe, devolvo-lhe o penhor. Dizendo isso, atirou a verruga no homem vaidoso e esta grudou-lhe no rosto e não havia dúvida: tinha duas verrugas, uma em cada face!
Esgueirou-se para dentro de casa bem mais tarde da noite, e ninguém viu sua cara nunca mais porque, desse dia em diante, passou a usar um chapéu de abas largas, bem enfiado na cabeça.
Quanto ao velho que perdeu sua verruga, ele viveu ainda muito tempo e dançava quando se sentia feliz. O que, na verdade, acontecia quase sempre!
Lenda do Japão
Retirado do Blog

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* * *
Resumo Esse artigo tem como objetivo mostrar a importância do arquétipo da criança divina a partir das noções básicas de psicologia analítica de C.G.Jung, e encontrando na arteterapia um meio facilitador da conexão com esse arquétipo. Liga Diniz “... Sem a criança, não existiria deus-pai nem deus-mãe. Sem o filho, obviamente, não existiria o ser humano. Por isso, porque o gênero humano significa existência, vida, e essa vida se inicia bem pequena, com mãozinhas e pezinhos minúsculos, e porque essa vida estabelece a união com Deus, e Deus criou a vida - à sua imagem, por isso a criança é divina.” Angela Waiblinger O Arquétipo da Criança Divina
C.G.Jung, psiquiatra Suíço, criador da psicologia analítica, considerava a existência de três níveis da psique humana: a consciência, o inconsciente pessoal, o inconsciente coletivo.
A consciência aglomera pensamentos, palavras, lembranças, identidade, sensações, gestos, sentimentos, imagens, fantasias... Refere-se ao estar desperto e atento, observando e registrando tudo o que acontece no mundo que nos rodeia e dentro de nós..Tem como função primordial situar o sujeito no tempo e no espaço, realizando todas as orientações e adaptações necessárias para possibilitar a relação que se estabelece na troca do sujeito com o meio físico e humano. Para que qualquer conteúdo psíquico torne-se consciente terá necessariamente de relacionar-se com o ego, que é o centro da consciência. Inconsciente pessoal corresponde a “... uma camada mais ou menos superficial” (Jung, OC V.XVIII/2, 1159) de conteúdos, cujo marco divisório com o consciente não é tão rígido. Contém todos os conteúdos esquecidos ou reprimidos pelo indivíduo, deliberada ou involuntariamente. Estes se referem às experiências vividas, ligadas às disposições internas do indivíduo. Encontram-se também no inconsciente pessoal as percepções e impressões subliminares dotadas de carga energética insuficiente para atingir o consciente. Nele encontram-se os complexos “grupos de representações carregados de
forte potencial afetivo, incompatíveis com a atitude consciente” (Jung, Vida e Obra; Nise Silveira – pág.73) Inconsciente coletivo seria a camada mais profunda da psique constituída pelos materiais que foram herdados da humanidade. No Inconsciente Coletivo encontram-se os arquétipos, formas estruturantes herdadas que é comum a todo ser humano embora se manifestem de maneira diferente de acordo com as culturas. Como exemplos de arquétipos são:
o Herói, a Grande Mãe, do Pai, da Criança Divina, do Órfão, dos Irmãos Inimigos, entre tantos outros. O arquétipo da criança divina diz respeito a nossa criatividade, espontaneidade, essência, é o futuro em potencial. ”Um aspecto fundamental do motivo da criança é o seu caráter de futuro.” (Jung, OC V. IX/I, 278) “... a “ criança” é dotada de um poder superior e que se impõe
inesperadamente, apesar de todos os perigos.A “ criança” nasce do útero do inconsciente,gerada no fundamento da natureza viva. É uma personificação de forças vitais, que vão além do alcance limitado da nossa consciência, dos nossos caminhos e possibilidades,desconhecidos pela consciência e sua unilateralidade, e uma inteireza que abrange as profundidades da natureza. Ela representa o mais forte e inelutável impulso do ser, isto é, o impulso de realizar-se a si mesmo”. (Jung, OC V. IX/I 289) RESGATANDO A CRIANÇA INTERIOR "Fui convidada para dar uma palestra e workshop numa universidade com a finalidade de falar sobre a criança interior e a importância de ativar a criatividade e espontaneidade no individuo e na sociedade. A nossa saúde e a nossa criatividade esta relacionada com a forma com que lidamos com a nossa criança, não só a criança concreta, como a criança interior. criança é criativa. Resgatar a criança é resgatar o núcleo de saúde do indivíduo, e esse resgate de saúde do indivíduo tem repercussão na
coletividade. Utilizei-me então do conto “O velho que perdeu a verruga” como instrumento de trabalho para ilustrar esse assunto, pois este retrata esse resgate da criança interior. "
Ligia Diniz

domingo, 28 de novembro de 2010

48H MMN - Kaguya Hime - A lenda do Monte Fugi

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A lenda do Monte Fuji
Um casal de velhinhos morava bem ao fundo de um bambuzal... Eles não tinham filhos e viviam modestamente fazendo cestos e caixotes de taquara. Certo dia, quando o velhinho cortava bambus, viu que um deles brilhava muito pela raiz. "Mas o que será isso?" Curioso, o velhinho cortou o bambu com o machado. Dentro do bambu, uma linda menininha!Ela era tão pequenina que cabia na palma da mão. O velhinho levou a
menina para casa e mostrou para a mulher: "Foi Deus quem nos enviou!" A velhinha também ficou muito feliz e disse:
__ Vamos chamá-la de Kaguya Hime!

Depois desse dia, o velhinho começou a encontrar outros bambus brilhando. E, de dentro, saíam muitas moedas de ouro. Só havia uma explicação: era a menina quem lhes trazia tanta sorte.
Kaguya Hime cresceu rápido. Depois de três meses, ela se transformou em uma bela moça, tão bela quanto um raio de luar. Logo a beleza da jovem começou a ser comentada pela região. Muitas pessoas vinham só para vê-la e formava-se uma longa fila em frente a casa. Pretendentes também não paravam de chegar: alguns vinham de muito
longe, outros eram pessoas importantes. Mas ela...
Ela não queria se casar com ninguém!
No entanto, cinco dos pretendentes vinham todos os dias, sempre com pedidos de casamento. Kaguya Hime então disse "Se algum de vocês conseguir trazer os objetos que eu pedir, então me casarei com essa pessoa: um vaso de pedra dos deuses que nunca se quebra, o galho de uma árvore de pedras vermelhas, um manto de pele de animal que não se
queima no fogo." Os objetos que Kaguya Hime pediu eram todos impossíveis de serem conseguidos. Os pretendentes tentaram falsificá-los, mas todos foram desmascarados.
Um dia, o próprio príncipe chegou à casa de Kaguya Hime: Sua beleza é ainda maior que sua fama. - e ele pediu:
Gostaria muito que se casasse comigo. Mas a moça respondeu: "Eu não posso me casar com ninguém." O príncipe respeitando a sua vontade, voltou triste para o seu palácio.
As cores do Outono tingia o céu...
Kaguya Hime começou a olhar para a lua, com grande tristeza...uma tristeza que ia aumentando a cada dia. Os pais ficaram muito preocupados e, então, perguntaram:
__ Por que você fica olhando a lua, assim tão triste?
__ Estou triste porque logo preciso ir embora.verdade vim de muito longe. Sou uma princesa do reino da lua e, na próxima cheia, virão me buscar.
Os velhinhos ficaram muito assustados: como se separar de uma filha tão querida?
Chegou a temida noite de lua cheia.
Os velhinhos pediram ajuda ao príncipe que enviou um batalhão de mil homens para impedir que alguém se aproximasse da casa. A princesa foi levada para o quarto dos fundos e os velhinhos aguardaram ao lado da jovem.
De repente, a lua começou a brilhar, brilhar, brilhar cada vez mais forte. "Preparem os arcos!" -- gritou o chefe da Guarda! Cegos com a luz da lua, ninguém pôde ver a chuva de pétalas que caía, nem a grande comitiva que descia, montada em nuvens, trazendo uma carruagem dourada... Quando todos puderam abrir os olhos, a comitiva já ia alta, levando embora a princesa.CONTAM AINDA que Kaguya Hime deixou para os pais uma poção mágica de vida eterna. Mas sem a filha querida, os velhinhos não quiseram viver eternamente. Então, queimaram a poção na montanha mais alta e, até hoje, um fio de fumaça bem branquinha continua subindo ao céu, ou talvez, até a lua... essa montanha é o Monte Fuji.
KAGUYA HIME, a princesa da lua. adapt. Lúcia Hiratsuka e Peter O'Sagae. Narração: Bia Grimaldi. In: MUKASHI... IMA - contos e
lendas do Japão. São Paulo: Casa de Bambu/MCD, 1997. faixa 1.
Visite a página da escritora e ilustradora Lúcia Hiratsuka.
Informações sobre o CD Mukashi... Ima.
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