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HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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terça-feira, 12 de março de 2013

A Lenda do Girassol

 Imagem Faceebook
Há muito tempo, na tribo dos Ianomâmis, nasceu uma indiazinha de cabelos claros, quase dourados. Foi um verdadeiro rebuliço na tribo, pois nunca haviam visto coisa assim. Deram a ela o nome de Ianaã, que quer dizer ‘Deusa do Sol'.

Todos a adoravam. Os mais fortes e belos guerreiros da tribo, e da vizinhança também, não resistiam aos seus encantos. Mas ela recusava a todos, dizendo que era ainda muito cedo para assumir um compromisso.

Um dia, enquanto nadava e brincava alegremente no rio, sentiu que o Sol lhe enviava raios como se fossem grandes braços acariciando levemente sua pele dourada. Só agora ele a havia percebido e se apaixonou perdidamente por ela.

Ianaã também se sentiu atraída por ele e, todas as manhãs, esperava o nascer do Sol toda feliz. Ele ia aparecendo aos poucos e era para ela o seu primeiro sorriso e seus raios dourados. Era como se dissesse:
- Bom dia, minha flor!

Um dia, Ianaã ficou muito triste e adoeceu. Quase não saía de sua choupana. O Sol, apaixonado, fazia de tudo para alegrá-la, mas em vão. Ela foi definhando até morrer.

A mata ficou em silêncio. O Sol deixou de aparecer. Tudo transformou-se em tristeza na aldeia.

O povo da sua tribo a enterrou perto do rio que ela tanto amava.

O Sol derramou muitas lágrimas e decidiu que iria aquecer a terra onde sua amada estava sepultada.

Depois de algum tempo, nasceu uma planta verdinha que foi crescendo, até tornar-se uma grande flor redonda com pétalas amarelas, que ficava voltada para o Sol desde o amanhecer até o anoitecer. À noite, ela pendia para baixo, como se estivesse adormecida. Acordava no início do dia para venerar o Sol e para ser beijada e acariciada por seus raios.

Por isso, essa flor tão bela, com alma de mulher, recebeu da tribo o nome de Girassol...
 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Iamuricumás - As Mulheres sem o Seio Direito




Imagens do Google


Em meio a uma grande festa, os índios haviam concluído a cerimônia de furar as orelhas de seus meninos, após a qual as crianças permanecem de resguardo. Segundo o costume, os homens da tribo foram à pesca para bem alimentá-las, enquanto as mulheres prosseguiram com o corte dos cabelos. Percebendo que os pais demoravam a chegar, o filho pajé decidiu ir ao rio, onde pôde observa-los batendo o timbó e pegando muitos peixes. Repentinamente, como por encanto, os índios transformaram-se em animais selvagens. Assustado o menino correu à tribo, relatando à sua mãe o que sucedera. Esta avisou as outras mulheres e, reunidas, preparavam-se para fugir dentro de poucos dias, pois os homens da pescaria agora representavam perigo! Pintaram-se e ornamentaram o corpo como se fossem homens.
Em seguida a esposa do pajé, à frente do grupo, entoou um canto, conduzindo-o até a floresta. Lá, untaram-se de veneno transformando-se no espírito Mamaé. Após cantarem e dançarem dois dias sem cessar, pediram a um velho que, pousando sobre as costas a casca de um tatu, seguisse à sua frente, abrindo-lhes passagem. O homem passou a agir como se fosse o próprio animal. As
mulheres, indiferentes aos homens da pescaria, seguiram o seu caminho, a cantar e a dançar, levando consigo mulheres de mais duas aldeias. Suas crianças foram lançadas ao rio, tornando-se peixes. Ainda hoje, as Iamuricumás viajam dia e noite, armadas de arco e flecha. Não possuem o seio direito, para melhor manejá-los. E assim, cantando e dançando, continuam a abrir caminhos pela floresta, seguindo eternamente o homem tatu.
Lenda indígena. Brasil.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

As Lágrimas de Potira


Muito antes de os brancos atingirem os sertões de Goiás, em busca de pedras preciosas, existiam por aquelas partes do Brasil muitas tribos indígenas, vivendo em paz ou em guerra e segundo suas crenças e hábitos.
Numa dessas tribos, que por muito tempo manteve a harmonia com seus vizinhos, viviam Potira, menina contemplada por Tupã com a formosura das flores, e Itagibá, jovem forte e valente.
Era costume na tribo as mulheres se casarem cedo e os homens assim que se tornassem guerreiros.
Quando Potira chegou à idade do casamento, Itagibá adquiriu sua condição de guerreiro. Não havia como negar que se amavam e que tinham escolhido um ao outro. Embora outros jovens quisessem o amor da indiazinha, nenhum ainda possuía a condição exigida para as bodas, de modo que não houve disputa, e Potira e Itagibá se uniram com muita festa.
Corria o tempo tranqüilamente, sem que nada perturbasse a vida do apaixonado casal. Os curtos períodos de separação, quando Itagibá saía com os demais para caçar, tornavam os dois ainda mais unidos. Era admirável a alegria do reencontro!
Um dia, no entanto, o território da tribo foi invadido por vizinhos cobiçosos, devido à abundante caça que ali havia, e Itagibá teve que partir com os outros homens para a guerra.
Potira ficou contemplando as canoas que desciam rio abaixo, levando sua gente em armas, sem saber exatamente o que sentia, além da tristeza de se separar de seu amado por um tempo não previsto. Não chorou como as mulheres mais velhas, talvez porque nunca houvesse visto ou vivido o que sucede numa guerra.
Mas todas as tardes ia sentar-se à beira do rio, numa espera paciente e calma. Alheia aos afazeres de suas irmãs e à algazarra constante das crianças, ficava atenta, querendo ouvir o som de um remo batendo na água e ver uma canoa despontar na curva do rio, trazendo de volta seu amado. Somente retornava à taba quando o sol se punha e depois de olhar uma última vez, tentando distinguir no entardecer o perfil de Itagibá.
Foram muitas tardes iguais, com a dor da saudade aumentando pouco a pouco. Até que o canto da araponga ressoou na floresta, desta vez não para anunciar a chuva mas para prenunciar que Itagibá não voltaria, pois tinha morrido na batalha.
E pela primeira vez Potira chorou. Sem dizer palavra, como não haveria de fazer nunca mais, ficou à beira do rio para o resto de sua vida, soluçando tristemente. E as lágrimas que desciam pelo seu rosto sem cessar foram-se tornando sólidas e brilhantes no ar, antes de submergir na água e bater no cascalho do fundo.
Dizem que Tupã, condoído com tanto sofrimento, transformou suas lágrimas em diamantes, para perpetuar a lembrança daquele amor.


Imagens do Google
Lenda indígena do Brasil.


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