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HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Branca Flor




Imagens do Google

O rei D. Carlos tinha o vício de jogar. Estava acostumado a ganhar sempre, pois os seus súditos não se atreviam a vencê-lo no jogo.
Um dia, recebeu a visita de um príncipe de outro reino e o convidou para jogar. O rapaz não sabia que o rei ficava furioso quando perdia, de modo que jogou sem se importar com o resultado. Ganhou todos os jogos.
Vendo-se derrotado, o rei ficou louco de raiva. Declarou ao príncipe que êle não sairia vivo do seu reino. E não lhe daria a mão de uma filha, pedida pelo príncipe.
O rapaz ficou muito triste e procurou um velhinho, que morava perto da floresta, do qual diziam ser um bom feiticeiro. O velho aconselhou o príncipe a ficar escondido junto de um lago, onde costumavam banhar-se as três filhas do rei. As moças eram encantadas e, por isso, se transformavam em patas, nessa ocasião.
O velho disse ao rapaz que escondesse a roupa da princesa mais jovem, quando ela se despisse. Depois do banho, a moça havia de procurar a roupa e, não a encontrando, ficaria muito aflita e prometeria toda a proteção a quem a restituísse.
O príncipe seguiu o conselho do velho, foi para junto do lago e escondeu-se. Daí a pouco, chegaram as moças. Tiraram a roupa, transformaram-se em patas e correram para o lago onde ficaram nadando.
Terminado o banho, as que encontraram a roupa, vestiram-na, voltaram à forma humana e seguiram para o palácio. A princesa mais jovem, não tendo achado a sua roupa, ficou desesperada e começou a gritar, prometendo uma recompensa a quem restituísse o seu vestido.
Nesse momento surgiu o príncipe, que lhe entregou a roupa e disse:
— Protege-me, princesa, contra teu pai, que me quer matar.
— Cumprirei minha promessa, respondeu a princesa. Quando estiveres em perigo, grita por meu nome, que é Branca Flor.
A rainha, mãe de Branca Flor, era feiticeira, por isso as princesas tinham nascido com poderes mágicos.
O príncipe voltou então à presença do rei e declarou que faria tudo para conseguir a mão da princesa, que lhe fora prometida. O rei fechou a cara e disse o seguinte:
— Se quiseres casar com minha filha, hás de fazer primeiro o que te vou ordenar. Vês aquele campo em frente do palácio? Pois bem: ordeno-te que, de hoje até amanhã, vás semeá-lo de trigo; que do trigo faças farinha; que da farinha faças cem pães para serem postos na minha mesa.
Retirou-se o príncipe muito preocupado. Como poderia cumprir a ordem do rei? No caminho, encontrou Branca Flor que lhe disse para ficar tranqüilo, pois, no dia seguinte, tudo estaria pronto.
Realmente, na manhã seguinte, quando o rei foi ver o trabalho do príncipe, ficou maravilhado. Mas não ficou satisfeito e disse para o rapaz:
— Já que tens tanto poder, quero que tragas para junto do palácio aquelas grandes pedreiras, que se avistam lá ao longe.
O príncipe afastou-se muito triste, mas logo encontrou Branca Flor que o acalmou, dizendo que faria tudo aquilo durante a noite.
No dia seguinte, o rei ficou admirado quando viu o palácio rodeado de pedreiras. Mas mesmo assim, não ficou satisfeito e ordenou ao píncipe:
— Desejo agora que tragas o mar para perto do meu palácio.
Como das outras vezes, Branca Flor apareceu e ajudou o rapaz a cumprir a ordem do rei. E no dia seguinte, lá estava o mar, com as suas ondas, pertinho do palácio.
O rei percebeu então que tudo tinha sido feito por Branca Flor. Por isso, resolveu matá-la juntamente com o príncipe. Mas a moça adivinhou a intenção de seu pai e resolveu fugir com o rapaz.
À noite, dirigiu-se para o quarto do príncipe, avisouo do que ia acontecer e ordenou-lhe que fosse à estrebaria real e selasse os cavalos que corriam tanto quanto o vento. Quando batesse meia-noite, eles fugiriam do palácio. Assim fez o príncipe. Na hora combinada, os dois partiram a toda disparada.
Quando amanheceu o dia, o rei deu por falta do rapaz e da filha e ficou fu.ioso. Mandou selar o cavalo que voava como o pensamento e saiu, à toda, para pegar os fugitivos.
Pouco depois, os avistou. Mas Branca Flor, graças ao seu poder mágico, transformou os cavalos num mar, os arreios num barco, o príncipe num barqueiro e ela própria numa tainha.
Chegou o rei e, vendo que nada podia fazer, voltou para o palácio e contou tudo à rainha. Esta ficou louca de raiva, montou a cavalo e partiu, a toda pressa, em perseguição dos fugitivos. Mas encontrou ainda tudo no mesmo lugar. Branca Flor tinha adivinhado a vinda da rainha, de modo que não voltou à forma humana.
A rainha ficou furiosa ao ver que não podia continuar sua viagem por causa do mar. Regressou ao palácio, mas antes, apelou para seus pod res de feiticeira e rogou uma praga a fim de que o príncipe fosse ingrato para sua filha e a desprezasse.
Assim aconteceu, tempos depois. O príncipe ficou noivo de Branca Flor e foi residir, em sua companhia, num belo palácio, /las, antes do casamento, separou-se dela e esqueceu-a completamente.
Um ano depois, o príncipe contratou casamento com outra princesa. Chegou, finalmente, o dia da cerimônia da boda, seguida de muitas festas e de um grande banquete.
Na ocasião do banquete, estavam todos jantando, quando, ao partirem o bolo do casamento, saíram do seu interior um pombo e uma pomba, que foram banhar-se num vaso cheio dágua, colocado no centro da mesa. Depois, pousaram nos ombros do príncipe, arrulhando docemente, até que a pomba perguntou ao pombo:
— Não te lembras de quando meu pai te quis matar, e tu escondeste a minha roupa no lago e eu te prometi livrar de todo o perigo que te ameaçava?
E o pombo respondeu:
— Não me lembro, não me lembro! Voltou a pomba a perguntar:
- Não te lembras de quando meu pai mandou que semeasses um campo de trigo e o colhesses, e com o trigo fizesses farinha e com a farinha fizesses pão; e eu te salvei, fazendo tudo aquilo?
— Não me lembro, não me lembro! respondeu o pombo.
— Não te lembras de que meu pai te ordenou que trouxesses, primeiro umas grandes pedreiras e depois o mar, para junto do palácio, e eu fiz tudo isso, para te salvar?
Nisto, respondeu o pombo:
— Parece que me estou lembrando… Sim, sim, tenho uma vaga idéia…
E a pomba perguntou com mais firmeza: • — Não te lembras de que meu pai nos queria matar e fugimos à meia-noite, nos cavalos que corriam como o vento ?
— Estou-me lembrando… respondeu o pombo.
— Não te lembras, continuou a pomba, de que meu pai correu atrás de nós e os cavalos viraram num mar, os arreios num barco, tu num barqueiro e eu, numa tainha?
— Agora, sim, já me lembro, já me lembro! exclamou o pombo.
Enquanto os pombos conversavam, o príncipe ia também se lembrando de tudo quanto se havia passado entre ele e Branca Flor. Num certo momento, ergueu-se da cadeira e exclamou:
— Agora, eu também me lembro! Se ainda existe aquela que tantas vezes salvou a minha vida, apareça, pois é só a ela que amo!
Nesse instante, os pombos fugiram e apareceu Branca Flor, lindíssima, com um vestido de seda azul, coberto de diamantes. Tendo na mão uma coroa real, disse ao príncipe:
— Põe esta coroa de rei, porque meu pai, minha mãe e minhas irmãs já morreram e tu serás, daqui por diante, meu esposo e meu senhor.


O contrato de casamento com a outra princesa foi desfeito. E o novo rei, alegre e feliz, casou com a sua protetora.


Conto de Fada Português. Fonte : Contos Maravilhosos – Theobaldo Miranda Santos, Cia Ed. Nacional

Fonte: http://www.aletria.com.br/

terça-feira, 19 de outubro de 2010

As Túnicas de Urtiga ou Os Cisnes Selvagens



Numa terra muito distante, havia um rei bondoso e sábio, que tinha uma linda filha, chamada Lúcia e onze filhos, todos belos e inteligentes. O soberano, que já estava velho e cansado, amava ternamente sua esposa e seus filhos.Infelizmente, a rainha morreu, e o rei, sentindo-se triste e solitário, resolveu casar-se com a viúva de seu primo, que tinha sido o soberano de um país vizinho.A felicidade, que até então reinava no palácio, desapareceu. A nova rainha, que era uma feiticeira perversa, conseguiu dominar o velho rei. A primeira coisa que ela fêz foi afastar Lúcia do palácio, mandando-a para a casa de uns lenhadores, que moravam numa floresta longínqua.Quanto aos onze príncipes, tantas mentiras a bruxa pregou a seu respeito, que o rei acabou não os querendo mais ver. Então, a feiticeira resolveu encantar os meninos. Depois de fazer uma porção de gestos mágicos, disse para os príncipes:
Voai, ligeiros, longe de nós, Jazei-vos aves, aves sem voz!
Os meninos transformaram-se em cisnes brancos e saíram voando pelo céu afora. Eles deviam seguir para um lugar determinado pela bruxa. Durante a viagem, procuraram passar sobre a casinha da floresta, onde estava a irmãzinha. Mas já anoitecia. Por isso, embora tivessem batido as asas com força, não conseguiram acordá-la.Quando Lúcia completou quinze anos, teve permissão pa a ir ao palácio. Assim que a rainha a viu, ficou louca de inveja e de raiva. A menina era de uma beleza deslumbrante. A bruxa quis transformá-la logo em cisne, e só não o fêz porque o rei desejava vê-la. Resolveu esperar uma ocasião mais oportuna para lhe fazer mal.Lúcia costumava nadar no lago que havia junto ao palácio. Um dia, antes de chegar a moça ao lago, para lá se dirigiu a rainha, levando consigo três sapos horríveis.À margem do lago, atirou o primeiro sapo na água, dizendo:Quando Lúcia estiver nadando, salta na sua cabeça, para fazê-la tão estúpida como tu! Quando atirou o segundo, berrou:Salta no rosto de Lúcia, para fazê-la tão feia como tu!E, quando atirou o terceiro, rosnou:— Fica perto do coração de Lúcia, para que se torne perversa e má!Os sapos fizeram tudo o que a rainha ordenou. Quando a moça saiu do lago, mais parecia um bicho que um ser humano. Ao vê-la, o rei ficou horrorizado. E mandou que ela voltasse para a floresta.É bom lembrar que Lúcia ficou muito feia, mas não se tornou má. O sapo não conseguiu modificar seu coraçãobondoso. Tendo sido desprezada por seu pai, a jovem resolveu sair à procura dos seus queridos irmãos.Viajou dias e dias, atravessando montes, vales e cidades. Durante a viagem, encontrou, numa floresta, uma velha faminta que lhe pediu um pedaço de pão. Lúcia deu-lhe, com prazer, e ainda foi apanhar, no riacho, um pouco dágua para matar a sede da velhinha.Esta, que era Nossa Senhora disfarçada, mandou que Lúcia comesse uma frutinha silvestre que crescia à beira do riacho. A moça obedeceu e, no mesmo instante, desencantou-se, voltando à sua beleza natural.Lúcia continuou a viagem. No meio do caminho, encontrou um velhinho a quem deu o seu último pedaço de pão. Perguntou-lhe, então, se tinha visto onze príncipes tão belos como o sol. O velho respondeu:— Que coincidência! Não vi os onze príncipes. Mas vi onze cisnes belíssimos, cada qual com uma coroa na cabeça!E mostrou o lugar onde vira as lindas aves. A princesa seguiu para lá, sentou-se e ficou esperando o dia inteiro. Quando o sol começou a desaparecer no horizonte, a moça ouviu um rufiar de asas. Olhou para o céu e viu surgir onze cisnes voando apressadamente. Pousaram na terra e esconderam-se sob uma moita. Lúcia aproximou-se e ficou vigiando.Quando os últimos raios do sol desapareceram, as penas dos onze cisnes caíram por terra e eles se transformaram em belos príncipes. Lúcia correu para eles, radiante de alegria. Reconheceram logo a irmã e cobriram-na de beijos e abraços. Que contentamento! Que felicidade!A moça contou-lhes a sua triste história e eles narraram como tinham sido encantados pela cruel feiticeira. E o príncipe mais velho explicou:— Durante o dia, temos a forma de cisnes. Mas, logo que o sol desaparece, voltamos a ser homens. E por isso que temos sempre o cuidado de chegar à terra firme antes que anoiteça, pois, se estivéssemos voando nos ares, cairíamos de repente e morreríamos.— Onde moram vocês? perguntou Lúcia.— Num lugar muito distante daqui, além dos mares. A viagem para lá é muito longa. Voamos dois dias sobre o oceano. No meio do caminho, só existe um rochedo isolado entre as ondas. E tão pequeno que nele só há espaço para ficarmos de pé, apertados uns contra outros. Quando o mar está agitado, cobre-nos de espuma da cabeça aos pés. Contudo, damos graças a Deus por termos aquele pequeno rochedo.— Quantas vezes, por ano, podem vir até aqui ? indagou a princesa.— Somente uma vez. E só podemos nos demorar onze dias. Chegamos há dez dias. Assim só temos um dia para ficar com você.A princesa e os irmãos ficaram conversando durante muito tempo. Depois, vencida pelo cansaço, a moça adormeceu. Quando acordou, ouviu um forte bater de asas. Eram os irmãos que tinham voltado à forma de cisnes e que deviam passar o dia voando.Quando a tarde caiu, os cisnes voltaram e, assim que o sol desapareceu, retomaram a forma humana. Então, o mais velho dos irmãos disse para Lúcia:— Já que a encontramos, não queremos perdê-la. Vamos passar a noite fazendo uma rede para podermos levá-la conosco.E começaram logo a trabalhar. Apanharam uma poi ção de ramos e folhas para construir uma rede resistente c macia. Pouco antes de romper o dia, o trabalho estava terminado.Lúcia sentou-se na rede que foi elevada no ar pelo bico dos onze cisnes. Durante todo o dia, os pássaros voaram sem parar. Já estavam exaustos de carregar a rede, mas não desanimavam. A moça tremia só em pensar que poderia anoitecer, sem que chegassem ao rochedo perdido no meio do oceano. Mas, finalmente, quando os raios do sol começa ram a desaparecer, a pequenina rocha surgiu no horizonte.Quando a noite chegou com seu manto de estrelas, a moça e os onze cisnes pousaram no rochedo. Os príncipe retomaram a forma humana. Tiveram de ficar estreitamente unidos para não caírem no mar. Assim que o sol nasceu os rapazes viraram, novamente, cisnes e bateram as asas, levando pelos ares a jovem princesa.Após viajarem o dia inteiro, chegaram, finalmente, ao seu destino. Os irmãos viviam num penhasco, em frente ao mar, onde havia uma caverna, que era a sua morada. Dentro da caverna, que era muito limpa, viam-se camas de musgo bem arrumadas. Lúcia ficou ali com os irmãos que, nesse momento, acabavam de voltar à forma humana.Depois de conversar longas horas com os príncipes, Lúcia resolveu descansar. Mas, antes de dormir, rezou, pedindo a Nossa Senhora que lhe ensinasse, em sonho, uma maneira de quebrar o encanto de seus irmãos.Quando adormeceu, Nossa Senhora apareceu-lhe em sonho e lhe disse:— Poderás quebrar o encanto de teus irmãos. Mas, para isso, é preciso muita fé e perseverança. Existe pertodeste penhasco, bem como nos cemitérios, uma urtiga que tem propriedades maravilhosas. Quando a apanhares, ficarás com as mãos inchadas e empoladas. Deves colher grande quantidade dessa planta e, com ela, tecerás onze túnicas. Quando estiverem prontas, atira-as sobre teus irmãos e, então, seu encanto ficará quebrado. Voltarão, para sempre, à forma humana. Mas, para que tenhas êxito, é necessário que, enquanto estiveres tecendo as túnicas, não digas uma só palavra. Durante esse tempo, qualquer som que saia de tua boca ferirá como se fossem onze punhais cravados no coração de teus irmãos.Quando Lúcia acordou, caiu de joelhos, agradecendo a Nossa Senhora o conselho que lhe dera. Depois, saiu da caverna e deu início ao seu trabalho. Começou a arrancar as folhas de urtiga que nasciam perto do penhasco. Quando o sol se pôs, voltaram os seus irmãos e perguntaram-lhe o que estava fazendo. Nem uma palavra de resposta. Os príncipes ficaram muito tristes, acreditando que a mudez da irmã era mais uma feitiçaria da madrasta. Mas, quando viram as mãos feridas e o trabalho que ela executava, sem parar, perceberam que fazia aquilo para quebrar o seu encanto. O príncipe mais moço pôs-se a chorar, beijando as mãos da irmã. E onde caíam suas lágrimas, desapareciam as empolas e as feridas.De repente, ouviu-se o som de uma trompa de caça. Era o soberano daquele reino que caçava nas proximidades da caverna. Ao ver Lúcia, ficou deslumbrado por sua beleza. E resolveu levá-la para o palácio real.Lá chegando, a princesa retirou-se para o rico aposento que lhe haviam oferecido. Havia trazido consigo o molho de urtigas e, por isso, continuou a trabalhar, febrilmente, durante a noite. Havia de libertar seus irmãos!Alguns dias depois, o rei não pôde resistir à paixão que o dominava e pediu a moça em casamento. Lúcia que estava enamorada do jovem soberano aceitou o pedido, mas não pôde dizer uma palavra. Sabia que, se o fizesse, causaria a morte dos seus onze irmãos.Realizou-se o casamento com grande pompa. O rei supunha que a sua linda esposa fosse muda e por isso redobrava em seus carinhos para com a moça. Tinha pena da sua triste situação. E Lúcia cada vez amava mais o rei e lamentava não lhe poder contar a sua triste história.A moça já tinha tecido várias túnicas, quando lhe faltou urtiga. Sabia que só podia encontrá-la no cemitério e, numa noite de luar, para lá se dirigiu.Mas houve alguém que a viu sair do palácio e a seguiu. Era um fidalgo que odiava a rainha, pois pretendia ver a filha no trono. Por isso, quando viu a rainha entrar no cemitério, foi avisar ao rei, dizendo-lhe que a rainha talvez fosse uma feiticeira. O soberano ficou muito triste e resolveu vigiai a esposa.Dias depois, tendo faltado, de n!vo, a urtiga, Lúcia tornou a ir ao cemitério. Mas desta vez, foi seguida pelo rei e outras pessoas. Viram-na aproximar-se de um túmulo, onde algumas harpias estavam devorando um cadáver. O rei não quis ver mais, julgando que a sua esposa era também uma bruxa repugnante.Como não podia falar, Lúcia não pôde defender-se e, por isso, foi condenada a morrer na fogueira. Quando os onze príncipes souberam disso, já era véspera da morte da irmã. Correram ao palácio para falar ao rei. Os guardas disseram que não podiam acordar Sua Majestade. Os rapazes insistiram, suplicaram, ameaçaram e já se dispunham a lutar com a guarda real, quando romperam os primeiros raios de sol. Os príncipes desapareceram, e viu-se um bando de cisnes esvoaçando, desesperadamente, por cima das torres do palácio.

Dias depois, tendo faltado, de novo, a urtiga, Lúcia tornou a ir ao cemitério.Chegou a hora da execução de Lúcia. A multidão enchia a praça principal da cidade. Daí a pouco, surgiu a moça numa velha carroça. Estava pálida e abatida, mas seus dedos trabalhavam sem cessar. Já tinha, ao seu lado, dez túnicas prontas. Só faltava uma!
O carrasco quis jogar fora as túnicas, mas a moça olhou para êle com um ar tão suplicante que o homem não pôde recusar-lhe o último favor. A multidão, porém, cobriu-a de injúrias e avançou para despedaçar as túnicas.Nesse momento, surgiram, fazendo grande bulha, onze cisnes lindíssimos, que começaram a dar bicadas terríveis nas pessoas que queriam atacar a carroça. Enquanto isso, a moça não parava de trabalhar. Finalmente, ficou pronta a última túnica.Na ocasião em que o carrasco ia atirar Lúcia na fogueira, os onze cisnes se aproximaram para se despedir da irmã. Ela jogou, então, sobre eles as túnicas de urtiga. No mesmo instante, se transformaram em onze príncipes de uma beleza deslumbrante. Estava quebrado e encanto!— Agora já posso falar. Estou inocente! exclamou a moça. E contou ao rei, que estava presente, a sua história.A pena de morte foi logo revogada. O rei ficou louco de alegria e cobriu a esposa de beijos e abraços. Houve muitas festas no reino. E a todas assistiram os onze príncipes, que passaram a morar no palácio, junto de sua querida irmã.
Fonte : Contos Maravilhosos – Theobaldo Miranda Santos, Cia Ed. Nacional
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Outras Obras de Hans Christian Andersen:

• O isqueiro mágico
• Nicolau grande e Nicolau pequeno
• A princesa e o grão de ervilha
• As flores da pequena Ida
• Mindinha
• O menino mau
• O companheiro de jornada
• A pequena sereia
• Os novos trajes do imperador
• As galochas da fortuna
• A margaridinha
• O soldadinho de chumbo
• Os cisnes selvagens
• O jardim do paraíso
• As cegonhas
• Ole Lukoeje (Olavo fecha-olho)
• O guardador de porcos
• O anjo
• O rouxinol
• Os namorados
• O patinho feio
• O pinheirinho
• A rainha da neve
• Mamãe sabigueiro
• A agulha de cerzir
• O sino
• A colina dos elfos
• Os sapatos vermelhos
• Os saltadores
• A pastora e o limpador de chaminés
• Holger Danske
• A menina dos fósforos
• A sombra
• A casa velha
• Uma família feliz
• História da mãe
• O colarinho
• Uma história
• Só a pura verdade
• Mágoas do coração
• Cada coisa em seu lugar
• Dentro de milênios
• Cinco grãos de uma só vagem
• Ela não valia nada
• João-pato
• Histórias que o vento contou
• O que o velho fizer está bem feito
• O boneco de neve
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