Quem sou eu

Minha foto
HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

Colaboradores

domingo, 30 de junho de 2013


O Príncipe de Hizen, um distinto membro da família Nabeshima, permaneceu no jardim com Otoyo, a favorita entre as suas concunbinas. Quando o sol se pôs se retiraram para o palácio, mas não conseguiram perceber que eles estavam sendo seguidos por um grande gato(1).

Otoyo foi para seu quarto e dormiu. À meia-noite, ela acordou e olhou sobre ela, como se de repente percebesse alguma presença horrível no quarto. Finalmente viu, agachado bem ao seu lado, um gato gigante, e antes que ela pudesse gritar por ajuda o animal pulou em cima dela e a estrangulou. O animal, em seguida, fez um buraco sob a varanda, enterrando o cadáver, e assumiu a forma da bela Otoyo.

O príncipe, que não sabia nada do que havia acontecido, continuou a ficar com a falsa Otoyo, sem saber que na realidade ele estava acariciando um animal imundo. Ele percebeu, pouco a pouco, que sua força falhava, e não demorou muito para que ele se tornou perigosamente doente. Médicos foram chamados, mas nada podiam fazer para curar o paciente real. Foi observado que ele sofria mais durante a noite, e era perturbado por sonhos horríveis. Sendo assim, seus conselheiros dispostos de uma centena de servos deveriam sentar-se com o seu senhor e vigiar enquanto ele dormia.

O grupo foi então para a enfermaria, mas um pouco antes das dez horas, foram acometidos de uma misteriosa sonolência. Quando todos os homens estavam dormindo a falso Otoyo se arrastou para o apartamento e perturbou o príncipe até o amanhecer. Noite após noite os observadores vinham para guardar o seu mestre, mas sempre dormiam na mesma hora, e mesmo três conselheiros fiéis tiveram uma experiência semelhante.

Durante este tempo o estado do príncipe se agravou, e finalmente um sacerdote chamado Ruiten foi nomeado para orar em seu nome. Uma noite, enquanto ele estava envolvido em suas súplicas, ele ouviu um barulho estranho vindo do jardim. A o olhar pela janela, viu um jovem soldado se lavando. Quando ele tinha terminou, ele se dirigiu até uma imagem de Buda, e se ajoelhando, orou fervorosamente para a recuperação do príncipe.

Ruiten, feliz de encontrar tal zelo e lealdade, convidou o jovem a entrar em sua casa, e quando ele entrou, perguntou seu nome.

“Eu sou Ito Soda”, disse o jovem “, e sirvo na infantaria de Nabeshima. Ouvi da doença de meu senhor e esperava para ter a honra de cuidar dele, mas sendo de baixo escalão, não posso estar em sua presença. Tenho, porém, orado ao Buda para que a vida de meu senhor seja poupado. Acredito que o Prince de Hizen está enfeitiçado, e se eu pudesse ficar com ele eu faria meu melhor para encontrar e destruir o poder maléfico que é a causa de sua doença. “

Ruiten estava tão positivamente impressionado com estas palavras que ele foi no dia seguinte se consultar com um dos conselheiros, e após muita discussão, ficou acertado que Ito Soda deve vigiar com as centenas de observadores.

Quando Ito Soda entrou no apartamento real, viu que seu mestre dormia no meio da sala, e ele também observou os cem observadores sentados na câmara conversando tranquilamente, na esperança de que eles seriam capazes de afastar a sonolência que se aproximava. Por volta das dez horas todos eles, apesar de seus esforços, tinham adormecido.

Ito Soda tentou manter os olhos abertos mas o peso das pálpebras foi gradualmente superando-o, e ele percebeu que se quisesse manter acordado ele teria de recorrer a medidas extremas. Após espalhar cuidadosamente papel de seda sobre as esteiras que ele enfiou a adaga em sua coxa. A dor aguda que sentiu repeliu o sono por um tempo, mas ele acabou fechando os olhos mais uma vez. Decidido a superar a magia que se revelou demasiada para os servos, torceu a faca na coxa e, consequentemente, aumentou a dor e manteve a sua vigília leal, enquanto o sangue escorria continuamente sobre o papel.

Enquanto Ito Soda observava, ele viu as portas corrediças abrindo-se e uma linda mulher deslizando suavemente para dentro do cômodo. Com um sorriso ela notou os servos dormindo, e estava prestes a abordar o príncipe quando ela observou Ito Soda. Depois que ela lhe falou rispidamente, ela se aproximou do príncipe e perguntou como ele estava, mas o príncipe estava muito doente para lhe responder. Ito Soda prestou atenção a cada movimento, e acreditava que ela tentava enfeitiçar o príncipe, mas ela sempre era frustrado em seu propósito ruim por cauda dos olhos atentos de Ito Soda, e finalmente ela foi obrigada a se retirar.

Pela manhã os servos acordaram, e ficaram cheios de vergonha quando eles perceberam que Ito Soda manteve seu vigília. Os altos conselheiros elogiaram a lealdade e o espírito empreendedor do jovem soldado, e ele foi ordenado a manter sua observação novamente naquela noite. Ele fez isso, e mais uma vez a falsa Otoyo entrou na enfermaria e, como na noite anterior, ela foi obrigada a recuar, sem ser capaz de lançar um feitiço sobre o príncipe.

Foi descoberto que sempre que o fiel Soda mantinha guarda, o príncipe era capaz de obter um repouso tranquilo, e, além disso, ele começou a ficar melhor, poius a falsa Otoyo, tendo sido frustrada em duas ocasiões, já estava afastada por completo, e o guarda não era mais afetado pelo sono misterioso. Soda, impressionado com essas circunstâncias estranhas, foi até um dos conselheiros e informou que a chamada Otoyo era um duende de alguma espécie.

Naquela noite Soda planejou ir ao quarto da criatura e tentar matá-la, organizando que, no caso, ela dela escapar deveria haver oito servos do lado de fora esperando para capturá-la e a despachando de imediato.

À hora marcada Soda foi ao apartamento da criatura, fingindo que tinha uma mensagem do príncipe.

“Qual é a mensagem?” perguntou a mulher.

“Por favor, leia esta carta”, respondeu Soda, e com estas palavras ele sacou sua adaga e tentou matá-la.

A falsa Otoyo pegou uma alabarda e tentou atacar seu adversário. Golpe seguido de golpe, mas finalmente perceber que fugir iria servi-la melhor do que lutar, ela jogou fora sua arma, e em um momento a bela donzela se transformou em um gato e saltou para o telhado. Os oito homens esperavam lá fora em caso de emergência para atirar no animal, mas a criatura conseguiu enganá-los.

O gato correu a toda velocidade para as montanhas, e causou problemas entre as pessoas que viviam nas redondezas, mas foi morto durante uma caçada ordenada pelo príncipe de Hizen.

O príncipe ficou bom novamente, e Ito Soda recebeu a honra e recompensa que ele tanto merecia.

* Fonte: F. Davis Hadland, mitos e lendas do Japão. (London: Harrap GG and Company, 1913).

Os Fios Dourados Das Histórias

Ohayô


Imagem: Kyle Cobban

Hoje, vou contar a história comovente de Ohayô, a singela camponesa que tinha um grande dom, a arte de dar vida a tudo que tocava...

Ohayô, nasceu com este dom e sem nenhuma vaidade, vivia sua vida humildemente, fazendo origamis de papel. Sua fama se estendeu em todo o vilarejo e se espalhou até o Reino principal.

Romaji, a rainha suprema ao saber dos dons de Ohayô, mandou busca-lá com todas as honras.

O encontro entre as duas foi assunto em todo o Reino. Romaji pediu uma amostra dos seus dons, e Ohayô fez passáros em papel branco que se transformaram em lindo pombos da Paz.

Deslumbrada e com muita, mas muita inveja do Poder de Ohayô, Romaji a trancou em um quarto sombrio e gelado no alto da torre. Mandava ordens para que Ohayô fizesse com seu dom: jóias, armas, ouro ou outros objetos para servir a cobiça de Romaji.

Ohayô emudeceu e no alto da torre se entristeceu... A única coisa que continuava fazendo eram origamis de pombos, que pela janela da torre voavam livres pelo céu.

Estes lindos pássaros da Paz levavam mensagens para todos habitantes, principalmente nas situações de desalento e desesperança.

O reino de Romaji, passou por muitas dificuldades, perdeu batalhas e empobreceu. Ohayô trancada na torre envelheceu. E mesmo com todos os castigos físicos e mentais não cedeu aos desejos de Romaji.

Um dia Romaji, amanheceu enlouquecida e mandou cortar as mãos de Ohayô. Os soldados se negaram e Romaji, furiosa, resolveu subir ela mesma na torre, com um enorme facão. 

Lá chegando encontrou Ohayô fazendo silenciosamente seus origamis da Paz. Reconheceu nos traços a moça que tinha sequestrado, mas viu a idade impregnada em toda a sua doce face. Percebeu que ambas tinham envelhecido...

Ergueu o facão em direção a Ohayô, mas vendo tanta dignidade, seu coração transmutou a inveja pela admiração.... Ahhhhhh....

Ajoelhou-se aos pés de Ohayô e chorou, chorou anos de solidão. Sinceramente arrependida, implorou por perdão no meio de um mar de lágrimas. Ohayô, banhada por esta emoção, se transformou em um lindo pássaro branco e voou livre, livre, livre pela janela da torre.

Romaji, assombrada jurou naquele momento que seria uma pessoa melhor. Com seu dom de liderança, conduziu o reino de volta a prosperidade. Foi nos seus últimos anos, uma rainha generosa e sábia. Morreu em Paz. Dizem que ambas se encontraram como luzes no céu!

Moral da história: Todos nós nascemos com dons de dar vida, seja através de palavras, afetos, ideias, ações... Não inveje os dons dos outros, descubra dentro de si os seus próprios dons!



Os Fios Dourados Das Histórias

facebook

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A árvore triste



"A árvore triste"
    
     Certa vez, existiu uma árvore que vivia sempre triste, porque de seus galhos jamais havia brotado uma flor.
     Só folhas. Uma abelhinha aproximou-se dela cantando:
                    
     - Zumm...zumm...zumm...Que árvore feia! Só tem folhas! E as flores, onde estão?
        

         Sua companheira observou:
         - Aqui não fico, pois preciso levar um pouco de mel para minha colméia.
   

     Vocês sabem o que é uma colméia?
     É a casinha das abelhas.       
     É ali que elas moram e fabricam o tão preciso mel.
     As abelhinhas são trablhadeiras, retiram o néctar das flores, que é um docinho que todas elas possuem.
            Depois levam esse néctar para a colméia e ali o depositam. Hoje, amanhã, depois...E vão formando o mel tão saboroso.
            Como é gostoso um favo de mel!
            Bem, voltemos à nossa história.

            A abelhinha continuou:
            - Como esta árvore não tem flores, vou-me embora.
     

         Chegou em seguida, uma linda borboleta e, voando em torno da árvore, comentou:
       - Como é triste esta árvore! Não tem nenhuma flor! As flores é que alegram a vida...
 

    Vocês sabiam que as borboletas põem ovinhos nas folhas das plantas, e desses ovinhos nescem uma porção de lagartas que um dia se transformam em lindas borboletas?
          Como é maravilhosa a natureza!
          Vieram também alguns passarinhos, mas não gostaram de fazer seus ninhos na árvore sem flores, por isso não ficaram lá. 
          A noite já vinha chegando, quando um menininho se aproximou da árvore.
          - Estou tão cansado que vou me deitar debaixo dessa árvore, disse o pequeno.
          Deitou e dormiu.

    A árvore, no seu silêncio, pensou: "Como ele está cansado...Deve estar sentindo frio! Vou derrubar minhas folhas sobre ele, para lhe servirem de agasalho, assim ele não sentirá tanto frio."
           Quando amanheceu, o menino acordou e disse admirado:
           - Que vejo? Quantas folhas! Dormi tão bem...Como essa árvore é boa e generosa! Agasalhou-me com suas folhas!
           O menininho, muito agradecido, disse a árvore:
           - Você terá sua recompensa: vou transformá-la na árvore mais bela e alegre deste lugar.

       E continuou:
       - Árvore, de hoje em diante, de seus galhos brotarão flores multicores, para que todos se sintam felizes!

        Voltaram as abelhinhas, a borboleta e os passarinhos, e todos disseram:
       - Como está bonita, perfumada e alegre! Você é a árvore mais linda que existe! Viremos sempre visitá-la!

      E todos cantaram junto com as flores...

O patinho que queria falar




     Era uma vez um lindo patinho amarelo. Um dia ele saiu de casa bem cedinho e foi passear na estrada. A manhã estava clara, o céu azul e havia muitos animaizinhos passeando.

    Não tinha ainda dado muitos passos e viu um gato engraçadinho. O gato que era muito bem educado, cumprimentou-o assim:
      - Miau, miau!
      O patinho ficou encantado e disse:
      - Oh! Que modo bonito de falar você tem, Sr. Gatinho.    
      Quem me dera falar assim !
      - É muito fácil, patinho, respondeu o gato. Vamos experimentar?
      O patinho experimentou dizer "miau". Não conseguiu. Experimentou de novo, experimentou muitas vezes! Foi impossível!         Então falou:
      - É muito difícil, Sr. Gatinho! Isso não é conversa para patinhos! Despediu-se do gato e continuou a passear.
   Foi andando, andando e encontrou-se com Dona Galinha Carijó.
     - Có, có, có, disse Dona galinha.
     O patinho ficou encantado:
     - Oh! Que modo bonito de falar a senhora tem, Dona Galinha!
      - Experimente falar assim, patinho.
      O patinho tentou imitar Dona Galinha. Fez tudo que pôde e nada conseguiu. Depois de algum tempo, já bem desanimado, falou:
      - Muito obrigado pela ajuda, Dona galinha, mas isto é muito difícil para patinhos.
    Despediu-se de Dona Galinha e continuou o seu caminho. Andou, andou e entrou na mata. De repente, ouviu a voz mais linda do mundo:
     - Piu, piu, piu!...
     - O patinho ficou encantado!        Olhou para cima e lá estava, no galho da árvore, um lindo passarinho de penas coloridas.
     - Que modo de falar bonito você tem, passarinho! Quem me dera falar como você!
     - Experimente, patinho! Experimente falar assim!
     O patinho abriu o bico. Fez tudo que pôde para dizer "piu, piu, piu!". Foi impossível. Já estava desanimado. Despediu-se e voltou triste para casa.
   No meio do caminho encontrou Dona Pata.
     - Quá, quá, quá, disse a pata.
     - Oh! Mamãe, disse o patinho. Será que posso falar como a senhora?
     - Experimente, filhinho,experimente...
      O patinho abriu o bico. Que vontade de falar como a mamãe! E se não conseguisse?...Não falou como gato, nem como galinha, nem como passarinho. Será que poderia falar como pato? Fez um esforço, e...
      - Quá, quá, quá...
      - Muito bem, filhinho ! disse-lhe a mamãe , toda feliz.
      O Patinho ficou alegre, muito alegre. Depois, juntinho com a mamãe, voltou para casa e a todo instante, abria o bico para dizer mais uma vez:
      - Quá, quá, quá...












Imagem do Google

PERNAS LONGAS, PERNAS CURTAS


Imagem do Google
Era uma vez, no coração de África, na Savana,
uma avestruz que se chamava Ostrich; tinha dois filhinhos,
um tinha as pernas muito longas e o outro muito curtas
e chamavam-se Pernas Longas e Pernas Curtas.
Para além disso, para cuidar da casa tinha uma avestruz que se chamava Uuz. 
O papai Os…ch dizia-lhes todos os dias às avestruzezinhas
que tinham que arrumar todos os brinquedos porque se não,
um dia vinha um elefantinho Fant e levava-os para sua casa.
Pernas Lon… e Pernas Cur…não acreditavam e eram muito
preguiçosos e não ligavam ao papai.
Até que um dia, quando todos estavam dormindo,
O elefantinho …t, que era muito velhaco,
aproximou-se para ver se havia algum brinquedo para levar e,
como era muito brincalhão, levou-os todos.
Pela manhã, quando Pernas Lon… e Pernas Cur…
procuraram os brinquedos e, como não os encontravam,
Foram correndo acordar o seu papai, Os… ch,
que tinha a cabeça escondida na areia
(porque é assim que dormem as avestruzes).
Quando conseguiram acordá-lo, disseram-lhe que não podiam encontrar os brinquedos.
Ostrich respondeu-lhes: Já tinha avisado, mas não se preocupem,
falarei com o elefantinho …t para perguntar-lhe se os tem
e então, como é orgulhoso, vou dizer-lhe que façamos uma corrida
e que se ganho, tem que devolvê-los.
Efetivamente, fizeram uma corrida, para ver quem chegava a uma árvore que se via ao longe, dava a volta e regressava primeiro.
E sabem quem ganhou? Os… E sabem porquê?
Porque ainda que Fant corresse muito, o papai Ostrich era a avestruz
Com as pernas mais longas de todas as avestruzes
e era muito forte e potente.
 
Então, o elefantinho …t devolveu-lhes todos os brinquedos
e, para além disso, deu-lhes dois elefantinhos pequenos de Madeira,
um com pernas muito longas e outro com as pernas muito curtas.
E as avestruzezinhas, a partir de esse dia,
Arrumavam sempre os brinquedos antes de ir dormir.
E todos foram felizes,
vitória vitória,  acabou-se a história, e agora...
DORMIR!

O que os olhos não vêem



















































Imagens do Google

Havia uma vez um rei
num reino muito distante,
que vivia em seu palácio
com toda a corte reinante.
Reinar pra ele era fácil,
ele gostava bastante.

Mas um dia, coisa estranha!
Como foi que aconteceu?
Com tristeza do seu povo
nosso rei adoeceu.
De uma doença esquisita,
toda gente, muito aflita,
de repente percebeu...

Pessoas grandes e fortes
o rei enxergava bem.
Mas se fossem pequeninas,
e se falassem baixinho,
o rei não via ninguém.

Por isso, seus funcionários
tinham de ser escolhidos
entre os grandes e falantes,
sempre muito bem nutridos.
Que tivessem muita força,
e que fossem bem nascidos.
E assim, quem fosse pequeno,
da voz fraca, mal vestido,
não conseguia ser visto.
E nunca, nunca era ouvido.

O rei não fazia nada
contra tal situação;
pois nem mesmo acreditava
nessa modificação.
E se não via os pequenos
e sua voz não escutava,
por mais que eles reclamassem
o rei nem mesmo notava.

E o pior é que a doença
num instante se espalhou.
Quem vivia junto ao rei
logo a doença pegou.
E os ministros e os soldados,
funcionários e agregados,
toda essa gente cegou.

De uma cegueira terrível,
que até parecia incrível
de um vivente acreditar,
que os mesmos olhos que viam
pessoas grandes e fortes,
as pessoas pequeninas
não podiam enxergar.

E se, no meio do povo,
nascia algum grandalhão,
era logo convidado
para ser o assistente
de algum grande figurão.
Ou senão, pra ter patente
de tenente ou capitão.
E logo que ele chegava,
no palácio se instalava;
e a doença, bem depressa,
no tal grandalhão pegava.

Todas aquelas pessoas,
com quem ele convivia,
que ele tão bem enxergava,
cuja voz tão bem ouvia,
como num encantamento,
ele agora não tomava
o menor conhecimento...

Seria até engraçado
se não fosse muito triste;
como tanta coisa estranha
que por esse mundo existe.

E o povo foi desprezado,
pouco a pouco, lentamente.
Enquanto que próprio rei
vivia muito contente;
pois o que os olhos não vêem,
nosso coração não sente.

E o povo foi percebendo
que estava sendo esquecido;
que trabalhava bastante,
mas que nunca era atendido;
que por mais que se esforçasse
não era reconhecido.

Cada pessoa do povo
foi chegando á convicção,
que eles mesmos é que tinham
que encontrar a solução
pra terminar a tragédia.
Pois quem monta na garupa
não pega nunca na rédea!

Eles então se juntaram,
Discutiram, pelejaram,
E chegaram à conclusão
Que, se a voz de um era fraca,
Juntando as vozes de todos
Mais parecia um trovão.

E se todos, tão pequenos,
Fizessem pernas de pau,
Então ficariam grandes,
E no palácio real
Seriam logo avistados,
Ouviriam os seus brados,
Seria como um sinal.

E todos juntos, unidos,
fazendo muito alarido
seguiram pra capital.
Agora, todos bem altos
nas suas pernas de pau.
Enquanto isso, nosso rei
continuava contente.
Pois o que os olhos não vêem
nosso coração não sente...

Mas de repente, que coisa!
Que ruído tão possante!
Uma voz tão alta assim
só pode ser um gigante!
- Vamos olhar na muralha.
- Ai, São Sinfrônio, me valha
neste momento terrível!
Que coisa tão grande é esta
que parece uma floresta?
Mas que multidão incrível!

E os barões e os cavaleiros,
ministros e camareiros,
damas, valetes e o rei
tremiam como geléia,
daquela grande assembléia,
como eu nunca imaginei!

E os grandões, antes tão fortes,
que pareciam suportes
da própria casa real;
agora tinham xiliques
e cheios de tremeliques
fugiam da capital.

O povo estava espantado
pois nunca tinha pensado
em causar tal confusão,
só queriam ser ouvidos,
ser vistos e recebidos
sem maior complicação.

E agora os nobres fugiam,
apavorados corriam
de medo daquela gente.
E o rei corria na frente,
dizendo que desistia
de seus poderes reais.
Se governar era aquilo
ele não queria mais!

Eu vou parar por aqui
a história a que estou contando.
O que se seguiu depois
cada um vá inventando.
Se apareceu novo rei
ou se o povo está mandando,
na verdade não faz mal.
Que todos naquele reino
guardam muito bem guardadas
as suas pernas de pau.

Pois temem que seu governo
possa cegar de repente.
E eles sabem muito bem
que quando os olhos não vêem
nosso coração não sente.



 Imagens do Gloogle


Dona Baratinha

Era uma vez uma baratinha que varria o salão quando, de repente, encontrou uma moedinha:
- Obá! Agora fiquei rica, e já posso me casar!
Este era o maior sonho da Dona Baratinha, que queria muito fazer tudo como tinha visto no cinema:
Então, colocou uma fita no cabelo, guardou o dinheiro na caixinha, e foi para a janela cantar:
notas musicais- Quem quer casar com a Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?notas musicais
Um ratinho muito interesseiro estava passando por ali, e ficou imaginando o grande tesouro que a baratinha devia ter encontrado para cantar assim tão feliz.
Tentou muito chamar sua atenção e dizer: "Eu quero! Eu quero!" Mas ele era muito pequeno e tinha a voz muito fraquinha e, enquanto cantava, Dona Baratinha nem ouviu.
Então chegou o, com seu latido forte, foi logo dizendo: - Eu quero! Au! Au!
Mas, Dona Baratinha se assustou muito com o barulhão dele, e disse:
- Não, não, não, não quero você não, você faz muito barulhão!
E o cachorrão foi embora.
O ratinho pensou: agora é minha vez! Mas...
- Eu quero, disse o elefante.
Dona Baratinha, com medo que aquele animal fizesse muito barulho, pediu que ele mostrasse como fazia. E ele mostrou:
- Não, não, não, não quero você não, você faz muito barulhão!
E o elefante foi embora.
O ratinho pensou novamente: "Agora é a minha vez!", mas...
Outro animal já ia dizendo bem alto: "Eu quero! Eu quero!"
E Dona Baratinha perguntou:
- Como é o seu barulho?
- GRRR!
- Não, não, não, não quero você não, você faz muito barulhão!
E vieram então vários outros animais: o rinoceronte, o leão, o papagaio, a onça, o tigre ... A todos Dona Baratinha disse não: ela tinha muito medo de barulho forte.
E continuou a cantar na janela:
notas musicais- Quem quer casar com a Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?notas musicais
Também veio o urso, o cavalo, o galo, o touro, o bode, o lobo, ... nem sei quantos mais.
A todos Dona Baratinha disse não.
Já estava quase desistindo de encontar aquele com quem iria se casar.
Foi então que percebeu alguém pulando, exausto de tanto gritar: "Eu quero! Eu quero!"
- Ah! Achei alguém de quem eu não tenho medo! E é tão bonitinho! - disse a Dona Baratinha. Enfim, podemos nos casar!
Então, preparou a festa de casamento mais bonita, com novas roupas, enfeites e, principalmente, comidas.
Essa era a parte que o Ratinho mais esperava: a comida.
O cheiro maravilhoso do feijão que cozinhava na panela deixava o Ratinho quase louco de fome. Ele esperava, esperava, e nada de chegar a hora de comer.
Já estava ficando verde de fome!
Quando o cozinheiro saiu um pouquinho de dentro da cozinha, o Ratinho não aguentou:
- Vou dar só uma provadinha na beirada da panela, pegar só um pedacinho de carne do feijão, e ninguém vai notar nada...
Que bobo! A panela de feijão quente era muito perigosa, e o Ratinho guloso não devia ter subido lá: caiu dentro da panela de feijão, e nunca mais voltou.
Dona Baratinha ficou muito triste que seu casamento tenha acabado assim.
No dia seguinte, decidiu voltar à janela novamente e recomeçar a cantar, mas...
Desta vez iria prestar mais atenção em tudo o que era importante para ela, além do barulhão, é claro!
notas musicais- Quem quer casar com a Dona Baratinha, que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?notas musicais



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...