Quem sou eu
- Histórias de uma Contadora
- HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa
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segunda-feira, 26 de novembro de 2012
domingo, 25 de novembro de 2012
Baba Yaga - A Bruxa da Natureza-Conto Russo
Imagem facebook
Um viúvo se casou com uma mulher muito malvada,
que odiava a filha dele. Um dia, estando sozinha com a enteada, a madrasta lhe
ordenou: “Vá até a casa de minha irmã e peça emprestado um carretel de linha”.
A irmã da madrasta era Baba Yaga Pernafina, a bruxa que morava na floresta,
numa cabana sustentada por pernas de galinha. Quando a menina chegou lá e
pediu o carretel, Baba Yaga falou: “Vou
procurar em meus guardados. Enquanto isso, teça um pouco para mim”. A filha do
viúvo se pôs a tecer, e um segundo depois ouviu a bruxa ordenar à empregada:
“Ferva água e dê um banho em minha sobrinha, pois quero comê-la no café da
manhã”. Esforçando-se para não perder a calama, a menina esperou a criada
aparecer na varanda e lhe suplicou que não fevesse a água; em troca lhe deu um
lindo lenço de cabeça. Pouco depois Baba Yaga ordenou ao gato: “Arranque os
olhos de minha sobrinha”. O gato, porém, ganhou da menina um pedaço de presunto
e lhe deu um pente e uma toalha. “Fuja”, falou. “Se perceber que Baba Yaga está
em seu rastro, jogue essa coisa para trás”. A filha do viúvo saiu correndo. Os
cachorros da bruxa a seguiram, arreganhando os dentes, mas ela os acalmou com
um pouco de pão. Chegando ao portão, só conseguiu abri-lo depois de despejar
algumas gotas de óleo nas dobradiças. Ao sair, viu-se presa nos galhos de um
velho pinheiro; afastou-os com determinação e os amarrou com uma fita para que
a deixassem passar. Enquanto isso o gato trabalhava no tear. “Você está
tecendo?”, Baba Yaga perguntava a todo instante, lá de dentro. “Sim, titia”, o
bichano respondia. Desconfiada, a bruxa foi ver o que estava acontecendo na
varanda. Ao constatar que a menina escapara, bateu no gato sem dó nem piedade.
“Você nunca me deu sequer uma espinha de peixe, mas sua sobrinha me presenteou
com um pedaço de presunto”, disse ele. Espumando de raiva, Baba Yaga bateu na
empregada, nos cachorros, no portão, no pinheiro, e todos afirmaram que sua
sobrinha os tratara muito melhor que ela. Cansada de ouvir a mesma história, a
bruxa montou seu pilão mágico como se fosse um corcel e, usando o socador como
açoite, partiu ao encalçço da fugitiva. A menina percebeu sua aproximação e
jogou para trás a toalha, que no mesmo instante se transformou num rio
caudaloso. Mais furiosa ainda, pois não podia atravessar aquela torrente, Baba
Yaga voltou para casa, reuniu seus bois e mandou que bebessem toda a água do
rio. Feito isso, passou para o outro lado e continuou em sua feroz perseguição.
Ouvindo-a bufar em seu rastro, a fugitiva jogou para trás o pente, que se
converteu numa densa floresta. Estimulada pela raiva, a bruxa tratou de abrir
caminho com os próprios dentes, roendo troncos e galhos. De nada lhe valeu o
esforço, pois, quando conseguiu sair da floresta, a menina já estava em sua
casa, com a porta bem trancada. Depois disso o viúvo expulsou a esposa malvada
e viveu em paz com a filha até o fim de seus dias.
Veja abaixo uma em video de Baba Yaga nos dias atuais, achei bem legal:
Sobre Baba Yaga:
Baba Yaga (em russo: Баба-Яга), é, no folclore eslavo, a mulher selvagem de
idade; a bruxa, e amante da magia. Ela também é visto como um espírito da
floresta, levando hostes de espíritos. É uma mulher velha e ossuda que viaja
pelos céus montada em um almofariz. Os rastros que deixa, apaga com uma
vassoura. Mora em uma casa móvel, com patas de galinha, cuja fechadura é uma
boca cheia de dentes. Isaac Bashevis Singer descreveu Baba Yaga com um nariz
vermelho arrebitado (apesar de alguns escritores comentarem um nariz azul), com
narinas largas e ardentes, olhos em chama como carvão em brasa e com cardos a
sair do crânio em vez de cabelos. Singer referiu também a existência de babas
menores e de pequenos demônios chamados dziads.
o segredo da felicidade
Imagem Facebook
Dizia-se que o sábio tinha o segredo da felicidade e que o guardava
cuidadosamente em um cofre.
O rei mandou chamá-lo e lhe ofereceu muito
dinheiro pelo cofre, mas o sábio simplesmente recusou a oferta, dizendo que era
algo que o dinheiro não podia comprar.
Um dia, uma criança se apresentou diante do
sábio.
- Sábio, por favor, ensine-me o segredo
da felicidade.
Movido pela pureza e inocência da criança, o sábio lhe disse:
Preste muita atenção. A primeira coisa que você deve fazer é amar-se e
respeitar-se e dizer a si mesmo todos os dias que você pode vencer todos os
obstáculos que se apresentarem na sua vida. Isso se chama autoestima. A segunda
que deve fazer é pôr em prática o que você diz e o que pensa. A terceira, é
jamais invejar alguém pelo que ele tem ou é. Eles já alcançaram as suas metas,
agora alcance as suas. A quarta, é jamais guardar rancor de ninguém no seu
coração. A quinta, é não se apoderar do que não é seu. A sexta, é jamais
maltratar alguém; todos os seres têm o direito de ser respeitados e queridos. E
a última coisa que você deve fazer é acordar todos os dias com um sorriso e
descobrir em todas as pessoas e em todas as coisas o seu lado positivo. Pense
na sorte que você tem. Ajude a todos sem pensar no que poderá obter em troca e
passe adiante o segredo da felicidade.
Conte histórias para ser feliz!
Contar e ouvir nos deixa felizes!. Que delícia
dois, três, dez dedos de prosa, ter alguém que nos ouça e também nos conte seu
dia, uma história de amor ou um causo engraçado. Contar histórias é um ato
espiritual e afetivo, por isso, as melhores histórias são as que contamos
espontaneamente, a partir do que carregamos em nossa bagagem de cultura e de
experiência de vida.
Contar histórias pressupõe antes de tudo a vontade de falar do que se sabe, de
doar sabedoria e conhecimento, de passar adiante aquilo que se aprendeu ou nos
maravilhou. Partilhar. Mais simples ainda: contar histórias é aumentar o
círculo. E, mesmo na falta de uma fogueira ou colo, tempo... podemos sim,
contar lindos contos de nossas vidas aqui e agora, partilhando nossas
histórias, lançando fios invisíveis que nos unem numa só rede.
Contar histórias de outros tempos, de outros lugares, de heróis e princesas,
bruxas e dragões é uma arte popular e natural. Uma aproximação excessivamente
acadêmica e/ou sofisticada pode esvaziar o conteúdo emocional da narrativa. As
histórias devem ser contadas por e com prazer, com muita liberdade. Se não, nem
vale a pena começar.
Ao narrar um conto maravilhoso, por exemplo, é muito mais importante ser capaz
de levar o público a se identificar com as personagens, visualizar o cenário e
sentir emoção do que ter um figurino e cenários exóticos e saber as palavras
exatamente decoradas.
A sutileza é sempre preferível ao exagero: o Lobo Mau não precisa falar grosso
para demonstrar sua ferocidade. O que podemos carregar do teatro é justamente a
intenção que carrega um ritmo preciso, a fala clara e expressiva.
Para se tornar um grande contador é preciso ter paciência, coragem de
experimentar e, por que não dizer, ousadia! Certamente se acertará e se errará
muitas vezes ao longo de sua trajetória. Deixe o desejo de partilhar as
maravilhosas histórias dos outros ou de nossas vidas fluírem.
Se o “era vez...” forem palavras mágicas para seus ouvidos, você já é um
verdadeiro contador de histórias.
Vera Lúcia Ravagnani
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