Quem sou eu

Minha foto
HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: "Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

Colaboradores

sexta-feira, 30 de abril de 2010

A fábula da águia e da galinha

-

Esta é uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana,narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. Oxalá nos faça pensar sempre a respeito.

"Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha. Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: - Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia. - De fato, disse o homem.- É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras. - Não, retrucou o naturalista.- Ela é e será sempre uma águia. Este coração a fará um dia voar às alturas. - Não, insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia. Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse: - Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe! A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou: - Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!- Não, tornou a insistir o naturalista. - Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe: - Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas. O camponês sorriu e voltou a carga: - Eu havia lhe dito, ela virou galinha! - Não, respondeu firmemente o naturalista. - Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar. No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: - Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe! A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte. Foi quando ela abriu suas potentes asas.Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e voar cada vez mais para o alto. Voou. E nunca mais retornou.

" Existem pessoas que nos fazem pensar como galinhas. E ainda até pensamos que somos efetivamente galinhas. Porém é preciso ser águia. Abrir as asas e voar. Voar como as águias. E jamais se contentar com os grãos que jogam aos pés para ciscar."
Extraído de artigo publicado pela Folha de São Paulo, por Leonardo Boff, teólogo, escritor e professor de ética da UERJ.

Email enviado por Geanne Amorim.

O Pequeno Arruma Tudo - 19H MMN

Como seria bom – pensou um dia Quim – ser grande e fazer coisas importantes!
Uma vez, a professora tinha-lhe contado a história de um menino que, à noite, ajudava o pai em seu trabalho de escrivão. Como Quim gostaria de fazer algo assim e, por isso, ser considerado pelos irmãos, pelas irmãs e pelos tios menino brilhante! “Que menino importante!" - diriam todos, em vez de beijá-lo e de fazer os costumeiros carinhos. Um dia, enquanto estava brincando com seu gato,observou a confusão que, como sempre, reinava em sua Família tão numerosa: irmãos, irmãs, avós, além, naturalmente, do pai e da mãe. Notou que não havia um segundo de paz naquela casa. . . "Talvez todos sejam muito nervosos" - disse para si mesmo. "Será - continuou pensando- que não se pode viver um pouco melhor?" - Acho que o.problema é o número de pessoas que moram aqui - disse, falando com o gatinho que o escutava, como se estivesse entendendo tudo.

--

domingo, 25 de abril de 2010

A Galinha Ruiva

------------
Um dia uma galinha ruiva encontrou um grão de trigo. - Quem me ajuda a plantar este trigo? - perguntou aos seus amigos. - Eu não - disse o cão. - Eu não - disse o gato.- Eu não - disse o porquinho. - Eu não - disse o peru. - Então eu planto sozinha - disse a galinha. - Cocoricó! E foi isso mesmo que ela fez. Logo o trigo começou a brotar e as folhinhas, bem verdinhas, a despontar. O sol brilhou, a chuva caiu e o trigo cresceu e cresceu, até ficar bem alto e maduro. - Quem me ajuda a colher o trigo? - perguntou a galinha aos seus amigos. - Eu não - disse o cão. - Eu não - disse o gato. - Eu não - disse o porquinho. - Eu não - disse o peru. - Então eu colho sozinha - disse a galinha. - Cocoricó! E foi isso mesmo que ela fez. - Quem me ajuda a debulhar o trigo?- perguntou a galinha aos seus amigos.- Eu não - disse o cão. - Eu não - disse o gato. - Eu não - disse o porquinho. - Eu não - disse o peru.- Então eu debulho sozinha - disse a galinha. - Cocoricó! E foi isso mesmo que ela fez. - Quem me ajuda a levar o trigo ao moinho? - perguntou a galinha aos seus amigos. - Eu não - disse o cão. - Eu não - disse o gato. - Eu não - disse o porquinho. - Eu não - disse o peru. - Então eu levo sozinha- disse a galinha. - Cocoricó! E foi isso mesmo que ela fez. Quando, mais tarde, voltou com a farinha, perguntou: - Quem me ajuda a assar essa farinha? - Eu não - disse o cão. - Eu não - disse o gato.- Eu não - disse o porquinho.- Eu não - disse o peru.- Então eu asso sozinha - disse a galinha.- Cocoricó! A galinha ruiva assou a farinha e com ela fez um lindo pão. - Quem quer comer esse pão? - perguntou a galinha. - Eu quero - disse o cão. - Eu quero - disse o gato.- Eu quero - disse o porquinho. - Eu quero - disse o peru.- Isso é que não! Sou eu quem vai comer esse pão!- disse a galinha. - Cocoricó. E foi isso mesmo que ela fez.
* * *
MoraL da História:
Se queremos dividir a recompensa, devemos compartilhar o trabalho. Do livro:

O livro das Virtudes para Crianças
Conto Popular Inglês

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A Pituchinha - 18H MMN

------
Numa loja de brinquedos, moravam muitas bonecas e bonecos bem juntinhos nas prateleiras. Durante o dia, a loja ficava cheia de gente: mães, tias, avós e amigos procurando presentes para dar às crianças.
Quando a noite chegava, as luzes se apagavam, as portas se fechavam para só abrir novamente na manhã seguinte.
Todos os brinquedos deviam ficar bem quietinhos para não fazer bagunça na loja.
O problema é que nem todos conseguiam...
- Olá! Eu sou a Pituchinha, uma boneca muito levadinha, que vive se metendo em confusão. Hoje queria ficar bem quietinha na noite, mas vi quando chegou aquele maravilhoso doce de leite, que foi guardado lá na cozinha... Mmmm, que fome! O que fazer?
Olhei para um lado e para outro da prateleira onde estava, e logo achei meus melhores amigos: Pompom e Polichinelo.
---
Vamos dar um passeio na cozinha para comer só um pouquinho de doce de leite?
- Eu quero, disse Pompom.
- Eu também, disse Polichinelo. Mas como vamos enganar o guarda?
É verdade: os brinquedos eram proibidos de sair da estante, e durante toda a noite o guarda tomava conta da loja. A tudo ele vigiava e, quando dormia, era com um olho aberto e o outro fechado. Depois trocava: um olho aberto e o outro fechado...Não parava nunca, nem deixava de ver nadinha!
- Já sei! Vamos bem de mansinho, andando só quando ele fechar um dos olhos, depois paramos todos juntos. E assim foram bem devagarinho: pé cá, pé lá... pé cá, pé lá ... pé cá, pé lá ...
E chegaram à cozinha escura. O guarda não viu nada.
Todos procuraram pelo pote de doce de leite, mas acabaram descobrindo que ele foi guardado lá no alto, dentro do armário.
Pompom esticou bem seus bracinhos, mas suas mãos não alcançavama porta de cima do armário da cozinha.
Polichinelo também tentou, se esticando todo, mas não conseguiu chegar perto.
A Pituchinha então disse:
Cada um de nós sozinho nunca vai provar aquele delicioso doce de leite que está lá em cima. Meu plano é subirmos uns nos ombros dos outros para alcançá-lo, e então...
Todos gostaram da idéia, e foram logo fazendo. Primeiro foi Polichinelo, que era o mais forte. Depois Pompom subiu em seus ombros, e por último subiu a Pituchinha, que esticou bem os bracinhos e abriu a porta de cima do armário. O pote de doce de leite estava lá no fundo, e sua mãozinha estava quase conseguindo agarrá-lo. Deu mais uma esticadinha, tentou uma puxadinha e então... O pote de doce de leite escorregou, voou na parede e ...
Bum!Espalhou doce para todo lado. E o pior, com o barulhão, na certa o guarda iria pegá-los...
E pegou. Ficou muito zangado com aquela bagunça toda, que ele não queria limpar.
Foi então que teve uma idéia: guardou cada bonequinho em sua caixinha, bem preso por uma fita, para só se soltar na casa da criança que ganhar aquele brinquedo.
Desse dia em diante, as lojas de brinquedo passaram a guardar seus bonecos bem fechadinhos em caixinhas - para que não façam bagunça na loja de noite. Já reparou como eles vêm bem embaladinhos?
-

* * *

domingo, 4 de abril de 2010

As Fadas - 17H MMN

--

As Fadas

Era uma vez uma viúva que tinha duas filhas; a mais velha era tão parecida Com ela de feições e de temperamento que quem a via, via a mãe. Ambas Eram tão desagradáveis e orgulhosas que não se podia viver com elas. A caçula, que era o verdadeiro retrato do pai pela doçura e honestidade, era, além disso, uma das mais belas moças que já se viram. Como as pessoas gostam naturalmente de seus semelhantes, a mãe era louca pela filha mais velha e ao mesmo tempo tinha uma aversão terrível pela caçula. Obrigava-a a comer na cozinha e a trabalhar sem parar. A pobre menina, entre outras coisas, tinha de ir duas vezes por dia buscar Água a uma boa légua da casa, e trazer uma grande moringa bem cheia. Um dia ela estava nessa fonte, veio até ela uma pobre mulher que pediu que lhe desse de beber. "Pois não, minha boa mãe", disse a bela menina; e logo, enxaguando a moringa, recolheu água no melhor lugar da fonte e lhe apresentou a moringa a fim de que ela pudesse beber mais facilmente. A boa senhora, depois de beber, disse-lhe: "Você é tão bela, tão Boa e tão honesta que não posso deixar de fazer-lhe um dom (pois era uma fada que tinha tomado a forma de uma pobre mulher de aldeia para ver até onde iria a generosidade da mocinha).onde iria a generosidade da mocinha). Eu lhe dou como dom , prossegui a fada, que a cada palavra que você disser, lhe sairá da boca uma flor,ou uma pedra preciosa. Quando a bela menina chegou a casa, sua mãe ralhou com ela por ter voltado tão tarde da fonte. "Peço-lhe perdão, minha mãe disse a menina, por ter demorado tanto; e ao dizer essas palavras, saíram de sua boca duas rosas, duas pérolas e dois grandes diamantes. "O que é que eu estou vendo” disse a mãe muito espantada; “creio que lhe estão saindo da boca pérolas e diamantes; de onde vem isso, minha filha?" (foi a primeira vez que a chamou de sua filha).-A pobre criança contou-lhe ingenuamente tudo que lhe tinha acontecido, não sem lançar uma infinidade de diamantes. "Realmente", disse a mãe, "é preciso que eu mande lá a minha filha; “olha Chiquinha, veja o que está saindo da boca da sua irmã quando ela fala; você não ficaria bem contente se tivesse o mesmo dom? Você só tem que ir buscar água na fonte, e quando uma pobre mulher lhe pedir água, dar-lhe de beber gentilmente". - "Bela coisa, respondeu a estúpida, "eu ir à fonte!" - "Eu quero que você vá lá, retrucou a mãe, "e já." Ela foi, mas sempre resmungando. Pegou o mais belo Vaso de prata que havia na casa. Mal ela chegou à fonte, viu sair do bosque uma Dama magnificamente vestida que lhe pediu de beber: era a mesma Fada que tinha aparecido à irmã, mas que agora tinha tomado o aspecto e as roupas de uma Princesa, para ver até onde iria a desonestidade dessa moça. ''Acha que eu vim até aqui", disse a estúpida orgulhosa, "para lhe dar de beber? Justamente eu trouxe um Vaso de prata para dar de beber à Madame! Eu tenho opinião, beba diretamente na fonte, se quiser". - "Você não é nada gentil", retomou a Fada, sem se irritar; "pois bem, já que você é tão pouco generosa, vou lhe dar como dom que, a cada palavra que disser, sairá da sua boca uma cobra ou um sapo." Logo que a mãe a avistou, gritou: "E então, minha filha!" - "E então, minha mãe!" respondeu a estúpida, lançando duas víboras e dois sapos. - "á meu Deus!"exclamou a mãe, "o que é que estou vendo? É sua irmã a causa disso, ela vai me pagar; e logo correu para bater nela. A pobre menina fugiu e foi colocar-se a salvo numa Floresta próxima. O filho do Rei, que voltava da caçada, encontrou-a e, vendo-a tão bela, perguntou-lhe o que fazia sozinha ali e o que tinha para estar chorando. "Pobre de mim! meu Senhor, foi minha mãe que me expulsou de casa." O filho do Rei, que viu sair de sua boca cinco ou seis pérolas e outros tantos diamantes, rogou-lhe que lhe dissesse de onde vinha aquilo. Ela contou-lhe a sua aventura. O filho do Rei enamorou-se dela e, considerando que semelhante dom valia mais do que tudo que se podia dar em casamento a uma outra, levou ao Palácio do Rei seu pai, onde se casou com ela. Quanto a irmã, fez-se odiar tanto que a própria mãe a expulsou de casa,e a infeliz,depois de ter percorrido muitos lugares sem achar ninguém . quisesse receber, foi morrer no fundo de um bosque.

-----


* * * MORAL As Pistolas e os Diamantes Podem as Mentes fascinar; Mas as palavras confortantes Tem ainda mais força, e um valor sem par. OUTRA MORAL A honestidade exige alguns cuidados, E quer também alguma complacência, Mas cedo ou tarde tem sua recompensa, E em momentos até os menos esperados.


* * *


O Caldo de Pedra - 16H MMN


Um frade andava ao peditório; chegou à porta de um lavrador, mas não lhe quiseram aí dar nada. O frade estava a cair com fome, e disse:– Vou ver se faço um caldinho de pedra. E pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela para ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e daquela lembrança. Diz o frade:– Então nunca comeram caldo de pedra?
Só lhes digo que é uma coisa muito boa. Responderam-lhe:– Sempre queremos ver isso. Foi o que o frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra, disse:– Se me emprestassem aí um pucarinho. Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.– Agora se me deixassem estar a panelinha aí ao pé das brasas. Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, disse ele:– Com um bocadinho de unto é que o caldo ficava de primor. Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada para o que via. Diz o frade, provando o caldo:– Está um bocadinho insosso; bem precisa de uma pedrinha de sal. Também lhe deram o sal. Temperou, provou, e disse: -Agora é que com uns olhinhos de couve ficava que os anjos o comeriam. A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras.O frade limpou-as, e ripou-as comos dedos deitando as folhas na panela. Quando os olhos já estavam aferventados disse o frade:– Ai, um naquinho de chouriço é que lhe dava uma graça...Trouxeram-lhe um pedaço de chouriço; ele botou-o à panela,e enquanto se cozia, tirou do alforge pão, e arranjou-se para comer com vagar. O caldo cheirava que era um regalo.Comeu e lambeu o beiço; depois de despejada a panela ficou a pedra no fundo;a gente da casa, queestava com os olhos nele, perguntou-lhe:– Ó senhor frade, então a pedra?Respondeu o frade:– A pedra lavo-a e levo-a comigo para outra vez. E assim comeu onde não lhe queriam dar nada.



Conto Tradicional Português,
Teófilo Braga,
1883

* * *

----------------

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...