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HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: "Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O macaco e o moleque



Imagens Google


Iaiá Romana era o apelido porque toda a gente conhecia uma velhinha que possuía uma bela roça, onde havia além de muitas outras frutas, uma bela plantação de bananeiras.

Quando as bananeiras estavam carregadas de cachos, a velha não tinha por quem mandar tirá-las, se sorte que ficavan maduras, e eram comidas pelos passarinhos, ou apodreciam.
Um dia, apareceu-lhe na roça um macaco, que lhe disse:

– Ó tiazinha, por que é que a senhora não colhe essas bananas, que já estão maduras, e não as põe na dispensa? Se não tiver quem lhe faça esse serviço, aqui estou eu, ao seu dispor.

Romana aceitou o oferecimento. O macaco, porém, assim que se pilhou trepado nas bananeiras, começou a comer as maduras e jogar as verdes para a velha, que, desesperada, jurou vingar-se.

Desde esse dia, vivia constantemente a procurar um meio de apanhá-lo. Qual! O bicho era esperto, e ela ficava sempre lograda.

Mas, um dia, a velha lembrou-se de fazer uma figura de alcatrão, fingindo um moleque, e colocou-lhe um tabuleiro de bananas bem madurinhas no cabo, como, se as estivesse vendendo.

Poucas horas depois apareceu o macaco. Supondo que era mesmo um pretinho, pediu uma banana. O moleque ficou calado.

– Moleque, dá-me uma banana, senão levas um sopapo! gritou.

O moleque permaneceu calado, e o macaco desandou-lhe a mão, ficando com ela grudada no alcatrão.

– Moleque, larga a minha mão, senão levas outro sopapo!... repetiu o macaco.

E o moleque sempre calado.

O macaco soltou outro bofetão, e ficou com a outra mão grudada.

– Moleque! moleque! larga as minhas duas mãos, senão levas um pontapé!... berrou o mono, enfurecido.

Como é bem de ver, o moleque calado estava e calado continuava.

O macaco deu-lhe um pontapé, ficando com o pé preso.

– Moleque dos diabos, larga meu pé que te dou outro pontapé! exclamou. E o moleque calado. O macaco deu outro pontapé, e ficou com os pés presos. Aí não se conteve mais, e disse:

– Moleque dos infernos, larga os meus dois pés e as minhas mãos, senão te dou uma umbigada!

E o moleque calado.

O macaco deu-lhe uma umbigada, e ficou completamente agarrado ao alcatrão. Assim que o viu preso, Iaiá Romana apareceu, foi ao mato, cortou umas varinhas, e começou a dar-lhe com toda a força uma sova enorme, enquanto ia dizendo:

– Eu não te disse, macaco, que havias de me pagar? Toma lá agora, para não vires caçoar comigo!

O macaco tanto se debateu, que afinal conseguiu se livrar do alcatrão, e nunca mais quis graças com a velha Romana.


Conto tradicional brasileiro. Fonte: Historias da avozinha de Figueiredo Pimentel.

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