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HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: "Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Micael

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Era uma vez um rei que tinha três filhos e uma filha. A princesa ele guardava como a menina dos seus olhos, determinando que crescesse nos aposentos das mulheres, de janelas gradeadas.
Uma noite, quando a princesa já se havia tomado adulta, pediu licença ao pai para, junto com os irmãos, passear defronte o castelo. E o pai deu a permissão. Mas assim que ela se achou fora do castelo, apareceu um dragão voando do céu e arrancou a jovem do meio dos irmãos, levando-a até as nuvens.
Os irmãos correram o mais rápido possível para contar ao pai o que havia acontecido, dizendo que gostariam de ir à procura de sua irmã. O pai deu sua permissão e um cavalo para cada um, e tudo o mais que é preciso para se empreender viagem. E eles partiram. Depois de  muito andar encontraram uma torre que estava entre o céu e a terra.Quando chegaram lá, surgiu a  ideia de que talvez encontrassem sua irmã. Logo começaram a estudar como poderiam escalar a torre.
Depois de muito pensarem e se aconselharem, chegaram a decisão de que um deles deveria sacrificar o seu cavalo. Do couro deste cortariam uma tira, e nela prenderiam uma seta que seria atirada pelo seu arco até a torre e lá se engancharia; então, eles subiriam por essa tira.
Os dois irmãos mais novos falaram ao mais velho que ele deveria sacrificar o seu cavalo, mas ele não quis, o segundo também não;então  o mais novo sacrificou seu cavalo e de seu  couro cortou a tira, e prendeu numa  das ponta a seta e atirou-a para a torre.
Mas alguém deveria subir pela tira, e outra vez o mais velho e o do meio se recusaram. O mais novo, porém, aventurou-se.
Chegando lá em cima, foi de quarto em quarto até encontrar onde estava sua irmã. Encontrou-a  sentada, catando piolhos da cabeça do dragão deitado em seu colo.
Quando a princesa avistou seu irmão, assustou-se e pediu que fugisse silenciosamente, antes que o dragão acordasse. Mas ele não quis. Pegou sua clava e levantou o braço batendo na cabeça do dragão. Este, porém, sonolento, levou a mão ao lugar onde o jovem lhe batera, dizendo: ”Vês, algo me morde justo aqui”. Mal acabara de dizer isso, o príncipe bateu-lhe mais uma vez na cabeça. O dragão, porém, disse outra vez á jovem: “de novo algo me mordeu aqui”. Quando o príncipe levantou o braço pela terceira vez, a irmã indicou-lhe com a mão que deveria bater na barriga do dragão. Assim ele fez, e no momento em que acertou, o dragão morreu.
A princesa jogou-o, então, fora do seu colo, correu para junto do irmão e o beijou. Pegou-o pela mão e levou-o para ver todos os aposentos do castelo. No primeiro estava um cavalo negro preso à manjedoura com arreios de pura prata; logo em seguida, num outro, havia um cavalo branco junto à manjedoura, com arreios de ouro puro, finalmente num terceiro havia um cavalo cinza junto a manjedoura, cujos arreios eram feitos com pedras preciosas. Após  passarem por esses quartos, a irmã levou-o a um outro, onde uma jovem bordava com fios de ouro num bastidor de ouro; dali a um outro, onde uma segunda jovem fiava fios de ouro; finalmente a outro, onde uma terceira jovem enfiava pérolas, que uma galinha de ouro com seus pintinhos recolhiam de um prato de ouro, bem diante dela. Depois de terem percorrido e olhado tudo, ele voltou mais uma vez até o quarto onde jazia o dragão, carregou-o para fora e atirou-o para baixo.
Quando os irmãos o avistaram, foram tomados de calafrios. O irmão mais novo desceu primeiro a irmã até onde estavam os outros irmãos, depois as três jovens, cada qual com seu trabalho, uma após a outra. Enquanto estava ocupado em descer as jovens, imaginava qual delas lhe caberia, e quando desceu a terceira, aquela com a galinha e os pintinhos, determinou-a para si. Os irmãos, invejosos por ele ter se mostrado tão eficiente encontrando e libertando a irmã, cortaram a tira para que ele não pudesse descer. E, quando encontraram um pastor com as suas ovelhas, o disfarçaram de seu irmão e o levaram para o pai, proibindo severamente a irmã e as outras jovens de dizer o que haviam presenciado.
Passado algum tempo, o irmão mais novo, na torre, ficou sabendo que seus irmãos e o pastor iam se casar com as jovens. No dia em que o mais velho se casaria, o mais novo montou o cavalo negro, e no momento em que os convidados saíam da igreja, rapidamente, como que voando, meteu-se entre eles e com a clava deu um toque leve nas costas de seu irmão, derrubando-o do cavalo. Em seguida, voltou como que voando para a torre, quando chegou ao seu conhecimento que também o irmão do meio se casaria montou o cavalo branco, e no momento em que os convidados saíam da igreja, deu também nesse irmão um toque com a clava, que o fez cair do cavalo sem tardar, voltando em seguida a torre. Por fim,quando soube que o pastor se casaria com sua jovem,montou no cavalo cinza e voou bem no meio dos convidados, no momento em que estes saiam da igreja, e bateu com a clava na cabeça do noivo que caiu morto na mesma hora. Os convidados correram para pegá-lo, mas ele não fez menção de fugir. Ao contrário, ficou no meio deles dizendo que era o filho mais novo do rei, e que os irmãos invejosos o haviam abandonado na torre onde achara a irmã e matara o dragão. Assim também testemunharam a irmã e as três jovens.
Quando o rei soube disso irritou-se com os dois filhos mais velhos e mandando-os embora. O mais novo casou-se então com a jovem que havia escolhido, herdando o reino após a morte do pai.

Conto dos Bálcãs  com tradução de  Renate Kaufmann , extraído da Revista Nós época de Micael 2008 – Escola Waldorf Rudorf Steiner

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