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HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: "Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

52H MMN - A menina e o pássaro encantado

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Imagem retirada do Gloogle
Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado. Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam
de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão… — Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele
mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro. Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das
cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes. E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e
por isto voltava sempre. Mas chegava a hora da tristeza. — Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho… — Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar.
Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei
feliz…” Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria
para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para
que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz. Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro… — Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o
silêncio: deixou de cantar. Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu
amigo… Até que não aguentou mais. Abriu a porta da gaiola. — Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres… — Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra. — Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje… Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de
qualquer lado haveria de voltar. Ah! Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama… foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade,
mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….” E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.
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Imagem retirada do Gloogle
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Para o adulto que for ler esta história para uma criança:
Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam
têm de dizer adeus…
Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.
Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para
que sejam deles, para sempre… Para que não haja mais partidas…
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as
pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce,
preparam-se os abraços.
Esta história, eu não a inventei.
Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma
despedida… E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase
pronta.
Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir.
Mas não é isso.
É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções.
Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.
Claro que são para crianças.
Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…

6 comentários:

  1. Comentário enviado via email por Ilca Verneque

    Olá amiga, Voces são feras mesmo! Linda!!! estória ou será história?
    O sonho não pode acabar, è o nome que eu daria para este conto, voce acha que combina/
    Parabens a todas voces, lendo o conto sentí que todas nós estamos sendo curadas com estas histórias.....
    Beijos,
    sua amiga e irmã em Cristo- Ilca

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  2. Comentário enviado via email por Marcia Araújo.

    Você sempre surpreendendo e pro bem....
    Fico feliz demais por te ver em ação....
    Adorei a história...
    Parabéns querida Amiga....Sucesso e energia positiva sempre na tua vida!!!!
    bjx
    da amiga orgulhosa de ti
    Márcia

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  3. Comentário enviado via email por
    Sonia Bachega
    lindooooooo...maravilhosoo
    euu cheguei ontem a Bh logo estarei de volta ao mundo novoo...
    bjsss

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  4. Comentário enviado via email pela querida Denise Tiseu.
    obrigada pela história já conhecia, é mto bonita , obrigada também pela mensagem...
    Vc dve ter o repertório mto maior do que o meu. Conta histórias sempre, eu só conto lá de vez em quando.
    A oficina de atores Puc Minas vai começar novas turmas, vc havia comentado do seu interesse em fazer a oficina.
    Conhece a história os sete sábios cegos??
    bjs

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  5. Eu adoro tanto essa história, lia primeira vez ainda quando era criança e como chorei e mesmo sendo criança consegui entender seu significado, é uma história profunda, delicada.

    Fiz um estágio como contadora de histórias na época da faculdade(de Pedagogia), e como é difícil, as pessoas imaginam que é só chegar e começar a ler como se fosse um trem descarrilado, mas não é preciso saber conquistar, saber encantar....

    É algo que vem se perdendo com o tempo, fico felz em saber que pessoas como você estão resgatando esse hábito!

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  6. Lys fico feliz que você tenha gostado da do Pássaro encantado é uma história que significa muito para mim. Este blog contém algumas Histórias que contamos no nosso serviço voluntário (tá meio parado), mas se Deus quiser vai voltar... A minha alma precisa de ouvir e contar histórias para se alimentar...
    Um beijo obrigada pelo carinho.Nice Baêta.

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