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HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: "Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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terça-feira, 10 de maio de 2011

65H MMN - A Joaninha Cansada

Imagem do Google
Enquanto Isto no Mundo Novo




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Era uma vez uma joaninha. Pintas pretas sobre fundo encarnado,
conhecem o género, não conhecem?
Bem. Como ia contando: era uma vez uma joaninha... O que ela se
enfastiava quando uma menina qualquer a prendia entre os dedos, para
lhe soprar a lengalenga do costume: ?Joaninha voa, voa, que o teu pai
está em Lisboa". Largada, depois, ares fora, a nossa joaninha
refilava:
- Mas qual pai? Mas qual Lisboa?
O pai dela, coitado, morrera há tempos, e a cidade de Lisboa não
estava nos seus projectos de viagem. Que mania!
Por isso a joaninha resolveu mascarar-se de escaravelho. Vestiu um
pijama às riscas e pronto. Ninguém diz: ?Escaravelho voa, voa, que o
teu pai está em Lisboa". Não dá jeito.
Com o que ela não contava era com o Dr. Bisnaga, cientista estudioso
de escaravelhos e do grande dano que eles causam à fruta e às batatas.
Pois o Dr. Bisnaga viu aquele exemplar um tanto fantasista, ainda não
classificado entre as suas variedades, e zás! Agarrou-o com uma pinça,
meteu-o num frasquinho e ala com ele para o seu laboratório, em
Lisboa.
Depois classificou-o. Deu-lhe um nome, por sinal o seu, ?Escaravelho
Bisnaguense", visto que se sentia o descobridor e, até certo ponto, o
pai daquela preciosidade. Por fim, tirou-lhe o retrato, para um grande
álbum de escaravelhos que estava a preparar, e foi à vida, à sua vida
de incansável investigador de escaravelhos.
Ficaria a pobre joaninha condenada a prisão perpétua, não se tivesse
desfeito, a tempo, do pijama às riscas.
- Uma vulgar joaninha no meu laboratório? - alarmou-se o sábio. - Fora daqui.
E atirou-a pela janela...
A joaninha saltou e, atarantada, esvoaçou sobre a fumarada da cidade.
Depois, mais decidida, voou desta história para fora. Uf! Chega de
aventuras.
Se a virem por aí, deixem-na viver sossegada o seu próprio destino de
joaninha sem nome. Ela agradece.


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