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HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: "Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Menina e o Barril


Imagens do Google

Ninguém sabe mais há quanto tempo aconteceu, mas conta-se na aldeia que numa certa ocasião havia entre nós uma jovem muito bonita. Ela e as amigas costumavam brincar na praia e por vezes lá passavam grande parte do dia. Numa dessas manhãs, no vaivém das ondas, encontraram uma bonita concha. Imaginando que poderiam encontrar outras tão ou mais bonitas do que aquela, passaram um bom tempo procurando-as. De tal maneira entregaram-se àquela tarefa que quando perceberam já se fazia noite e as primeiras estrelas brilhavam no céu.
Preocupadas, todas partiram de volta para a aldeia. No entanto, no meio do cantinho, a jovem lembrou-se da concha que deixara sobre algumas pedras e pediu às amigas que voltassem à praia com ela. Temendo os espíritos que costumavam vagar pela floresta com a chegada da noite, todas se recusaram. Teimosa e encantada com a beleza da concha, a jovem resolveu ir sozinha. Tinha medo da escuridão, era bem verdade, e, para afugentar seus temores, passou a cantar. Ao ver a praia, caminhou depressa para as pedras onde , segundo se lembrava bem, deixara a concha. No entanto qual não foi a sua surpresa ao encontrar no lugar não a concha, mas um duende, uma criança pequena e de sorriso manhoso, que, ao vê-la, apressou-se em dizer:
- Você tem uma voz muito linda, menina... Cante para mim !
- Minha concha... – A jovem, com medo, quis correr.
- Cante para mim e eu lhe digo onde está a sua concha.
Ainda assustada, mas igualmente interessada em reaver a bela concha, ela o atendeu.
- Chegue mais perto para que eu possa ouvir melhor – pediu o duende.
A jovem se aproximou e foi só se aproximar que ele, muito agilmente, agarrou-a e meteu-a dentro de um barril. Em vão, ela gritou, suplicou e chorou, pedindo que ele a soltasse, presa estava e presa continuou.
Mais que depressa, o duende colocou o barril nas costas e pôs-se a vagar de aldeia em aldeia, trocando uma refeição por um bocado de boa música. Era sempre assim: ele chegava à aldeia, fazia a sua proposta e, aceita a proposta, batia no barril. Imediatamente, mesmo sem saber o que estava acontecendo, mas com medo do que o duende poderia fazer-lhe de ruim, a jovem punha-se a cantar.
Todos ficavam encantados com aquela voz melodiosa mas triste que emergia do barril. Aliás, o encantamento era tamanho que as pessoas ofereciam mais e mais comida para que ele não se fosse com o barril. O duende se enchia de comida até não poder mais e apenas as sobras ficava para a jovem, isto, quando havia sobras.
O duende continuou indo de um canto para o outro durante certo tempo. Sempre com o barril nas costas e sempre tirando dele aquela música que encantava a todos e o empanturrava de comida. Certo dia, os dois, duende e barril, acabaram chegando à aldeia onde nascera e vivera a jovem prisioneira.
Desta vez e, como vinha acontecendo desde que colocara o barril sobre os ombros e começara a ir de aldeia em aldeia, não foi nem preciso fazer a proposta. As pessoas pediram-lhe para serem entretidas. Cheio de si e já antevendo uma farta refeição, o duende apressou-se em atende-los. No entanto, os pais da jovem estavam entre os que ouviam e, mal ela começou a cantar, eles reconheceram sua voz.
- É a nossa filha ! – disse a mãe, emocionada, a alegria dando lugar à preocupação. – Como vamos fazer para tira-la daquele barril ?
Rapidamente o pai teve a idéia de, como a aldeia cobrira o duende de comida para que ele não parasse a música, dar-lhe uma comida bem forte. Assim, fizeram com que ele bebesse até que dormisse. Enquanto ele dormia, os pais da jovem a salvaram e em seu lugar dentro do Brasil colocaram abelhas e formigas guerreiras, das mais ferozes que encontraram.
E lá se foi o duende sem de nada suspeitar, até que, entrando na próxima aldeia e feita a sua proposta, ele bateu no barril. Formigas e abelhas lançaram-se furiosamente sobre a infeliz criatura e mordera, morderam , morderam. O duende fugiu para a mata e, depois disso, nem ele nem o barril foram vistos.

Fonte: Lendas Negras de Júlio Emílio Braz e Sami Dansa. Lenda africana.
http://www.aletria.com.br

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