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HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: "Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A lenda do Negro d`água




Imagens do Google

O negro d’água faz parte da vida de todos os pescadores do Centro Oeste. Crendo ou não crendo, todos eles já experimentaram um sustozinho,. certa vez que um boto apareceu com a sua cabeça de porco a soprar bem pertinho de onde estava a sua vara de anzol.H Em certa pescaria no curso baixo do rio Vermelho, uma vez, acompanhou-nos um "chauffer" chamado João, de sobressalência, para ajudar-nos a remendar câmara de ar no caminho, ou consertar as avarias dos pontilhões. Sempre ia por conta de serviços prováveis, sem pagar a contribuição para a cobertura das despesas. Era, pois, um companheiro para tudo.
Uma noite, quando já estávamos em boas redes, contando anedotas uns para os outros, e esperando chegar os últimos companheiros que subiram e desceram o rio, para dormirmos sossegados, escutamos um ruído do lado do rio, como se animal espantado tivesse corrido para nosso lado, derrubando mato. Era o João. Chegou sem poder falar, e horrorizado com o que vira naquele poço escuro que fica na curva do rio. Todos nos levantamos para socorrê-lo.
Que foi isso rapaz, perguntamos a um só tempo. Foi o negro d’água que brotou mesmo em baixo do meu pesqueiro, fazendo um rebojo e um barulhão, antes de erguer a metade do corpo fora d’água. E dizendo isto olhava para todos os lados, assombrado.
Você viu negro d’água coisa nenhuma, o que você viu foi um boto, que nós também vimos hoje à tarde, na curva do poço da piratinga. Os bolos do Araguaia sobem até aqui e gostam de se mostrar para os pescadores. E para provar que era isso mesmo, o nosso comparsa se meteu pelo caminho do poço indicado. Meia hora depois voltou confirmando que era boto mesmo, e se quiséssemos ver iríamos todos apreciar as evoluções que eles fazem quando vêem o homem.
Alguém "pediu a palavra" para contar um caso que havia acontecido há tempos, e dava o seu testemunho de homem de fé, qualidade que ninguém lhe negava. Todos aproximaram-se para ouvir a narrativa. Tratava-se do Tenente Pacheco, um excelente companheiro de pescaria e de caçada, profundo conhecedor daquela região e também do Estado todo.
— Uma noite, começou o oficial, estávamos pescando no rio Tapirapés, tributário do Araguaia, muito piscoso e com excelente caça; por essa razão preferido para as excursões dos que vão à Ilha, quando se formou, em baixo do nosso pesqueiro, um enorme rebôjo. Logo a seguir algo emergiu espadanando água, e fazendo um estranho barulho. Julguei que se tratasse de enorme sucuri, e pus de jeito minha espingarda de caça. Há, naquela região, muitas lagoas que são viveiros de sucuris. São elas que formam a cabeceira do rio. Não atirei no rumo; nunca fiz isso. Meti a lanterna elétrica em cima do rebôjo e avistei uma cara horrorosa, meio macaco, meio homem, cabelos lisos e bem pretos, cobrindo todo o rosto.
Os dentes eram alvos e pontiagudos, rindo para mim com ar de mofa. Os olhos, refulgindo pelo efeito da luz do farolete, eram duas tochas acesas. Nunca mais vi coisa igual. O índio Carajá que estava comigo já havia corrido espavorido. Gritou em português que não atirasse nele que ganharia maldição para o resto da minha vida.
Quando o bicho mergulhou, aproveitamos para dar o fora, e o índio pediu que fossemos embora, a seguir, porque não haveria mais um único peixe para nós. Este, é o sapo grande, que governa o rio e aparece para quem fala mal do Araguaia. Não fizemos objeção e até hoje nos recordamos daqueles olhos que pareciam farol de automóvel aumentados pela luz da lanterna.
Cada um, então, contou um caso de negro d’água e João nunca mais quis saber de participar de nossas pescarias, apesar de convidado com insistência, porque no pior servia para ajudar a empurrar o fordinho e remendar câmaras de ar.

3 comentários:

  1. Toda região tem suas lendas, é bem verdade que no Centro Oeste acreditam nisso, minha sogra é de MT e quando surgiu aquele caso das meninas que morreram afogadas e que filmaram(coisa mórbida:( )minha sogra jurou que foi o negro d'água(hehehehe), o fato é que até hoje ainda não desvendaram o que teria puxado as meninas para o fundo do rio.

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  2. Minha Casa - meu corpo disse...
    O Brasil é muito rico em lendas, na região de Minas há Histórias de assobração e de escravos fugidos... Além de Histórias de Dona Beija.

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