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HOJE ALGUMAS FRASES ME DEFINEM: "Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Clarice Lispector "Os contos de fadas são assim. Uma manhã, a gente acorda. E diz: "Era só um conto de fadas"... Mas no fundo, não estamos sorrindo. Sabemos muito bem que os contos de fadas são a única verdade da vida." Antoine de Saint-Exupéry. Contando Histórias e restaurando Almas."Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

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sexta-feira, 2 de outubro de 2009

A farinha Mágica - Parte I

Era uma vez um rei que se deixava levar com freqüência pela cólera, mesmo pelos
motivos mais insignificantes.
Um dia entrou com ar furioso na cozinha do palácio, gritando :
- Esta é única !
- Que aconteceu? - perguntou-lhe a rainha, voltando-se surpreendida para o marido e
parando de brigar com o cozinheiro.
- Que aconteceu? - prosseguiu o rei, com voz trêmula de raiva -. Imagine que passei
toda a manhã na caça, sem abater sequer um javali. Gastei todas as minhas flechas,
bati com a cabeça em uma árvore e voltei ao palácio com um miserável ouriço !
Um sorriso transpareceu no rosto rosado e gentil da rainha.
- Deverias aprender a apurar mais a mira - disse-lhe ela, em tom de doce censura.
Estas palavras fizeram aumentar até o máximo a cólera do rei, que se considerava o
melhor caçador de todo o pais, embora talvez não existisse outro mais desajeitado.
Parecia que até os animais sabiam disso, visto que passavam por junto dele sem
medo, dançando defronte do seu arco esticado e pouco se importando com as flechas
que sibilavam no ar, cravando-se nos troncos das árvores mas nunca na caça.
Mais de uma vez as lebres tinham zombado dele, e os javalis haviam passado bem por
perto da sua pessoa, roçando-o até, como para lhe fazer compreender que as suas
flechas de prata não lhes podiam fazer nenhum mal.
- Por que não te exercitas no pátio do palácio, com os nossos estúpidos criados? -
prosseguiu a rainha que, algumas vezes, se permitia aborrecer o seu augusto esposo.
Em vez de responder, o rei rangiu os dentes e arrancou da cabeça o barrete, jogandoo
no chão e pisando-o num ímpeto de raiva concentrada.
Quando se acalmou um pouco, a rainha dirigiu-lhe de novo a palavra, sempre
sorrindo:
- Vês que te irritaste inutilmente?
Aquilo era demais para o rei.
Um novo ímpeto de raiva invadiu o soberano; mas, descobrindo nesse momento
alguns pastéis enfileirados em cima da mesa, ficou admirado de que os mesmos não
lhe tivessem aguçado a gula, aplacando-lhe ao mesmo tempo a fúria.
- Magníficos e apetitosos, estes pastéis!. . .
E depois de engolir um, disse, fazendo estalar a língua de encontro ao céu da boca:
- Estão realmente deliciosos!
Em um abrir e fechar de olhos engoliu o rei mais de dúzia e meia. - Bons! . . .
Excelentes ! . . . Bravo, cozinheiro!... Estes pastéis te honram, - exclamou, falando ao
cozinheiro.
- Majestade! - respondeu o cozinheiro - a farinha com que preparei estes pastéis foime
dada por uma tia minha, feiticeira, que mora em cima da colina.
- É? E onde arranja ela esta farinha tão boa?
E sem aguardar resposta, fez desaparecer outros cincos pastéis, devorando-os com
avidez.
- Não comas mais - advertiu-o a rainha .- Poderiam fazes-te mal.
Por única resposta, o monarca voltou-se para o cozinheiro, dizendo-lhe em tom
ameaçador:
- Escuta, cozinheiro: gostarias que amanhã cedo eu te mandasse cortar a cabeça?
- Por piedade, Sir! Que dizeis? - exclamou o pobre homem, começando a tremer de
susto.

* * *

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